OS CUIDADOS COM A DOENÇA FALCIFORME NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: O CONHECIMENTO DOS PROFESSORES SOBRE O ASSUNTO

Raiotelma Lopes Silva

Resumo


A doença falciforme (DF) é uma enfermidade hematológica de caráter hereditária, genética e crônica. Decorre através da anormalidade de uma proteína presente nas hemácias, a anemia hemolítica de herança autossômica recessiva, que ocorre devido a uma mutação da posição 6 do gene da globina beta da hemoglobina (Hb). Este local onde ocorre a mutação propicia a substituição do ácido glutâmico pelo aminoácido valina, induzindo a produção de uma hemoglobina anormal (FERNANDES et al., 2002) .
A DF é considerada um grande problema de saúde pública, por conta do seu alto índice de casos no Brasil e no mundo. A Bahia possui a maior população negra do Brasil, especialmente na capital e na região do recôncavo, locais próximos à Feira de Santana. Estudo realizado por Alves (2012) mapeou a DF nessa região e mostrou que a prevalência foi de 0.04% ou 4 casos/10.000 habitantes. A maior ocorrência e prevalência foram para as pessoas pretas e pardas, com baixa escolaridade e baixa renda, fatores que influenciam diretamente a evolução clínica da doença, pois terão reflexo na alimentação, assistência médica, moradia precária, transporte, condições higiênico-sanitárias e educação.
A maioria dos sinais e sintomas presentes no quadro clínico dos indivíduos com DF tem como determinante a ocorrência de vaso-oclusões, principalmente em pequenos vasos (FELIX et al., 2010).
Crises de dor, úlceras de membros inferiores, síndrome torácica aguda (STA), seqüestro esplênico, priaprismo, necrose asséptica do fêmur, acidente vascular encefálico (AVE), retinopatia, insuficiência renal crônica, entre outros sintomas são descritos como os principais acometimentos da doença (FELIX et al., 2010). No entanto, devido às manifestações clínicas ocasionadas pela doença, que resultam em hospitalizações freqüentes, indivíduos que apresentam a DF, tem sua vida comprometida, o que para crianças e adolescentes, acabam interferindo no desempenho escolar do aluno.
A Associação Baiana das Pessoas com Doença Falciforme (ABDFAL) cita como fundamental o conhecimento da escola sobre as particularidades referentes ao crescimento e desenvolvimento da criança com DF (ABADFAL, 2013), como a ingestão freqüente de líquidos, a ida ao banheiro, temperatura, informações básicas que a comunidade escolar deve saber, para melhor compreensão do comportamento do aluno.
Sobre o processo de inserção do aluno com a DF no ambiente escolar, Maia et al., (2013) dizem:
As crianças com anemia falciforme devem ser matriculadas na escola tal como qualquer outra criança, a menos que existam razões específicas. É importante que os pais notifiquem a condição clinica de seus filhos ao
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professor e diretor da escola e os estimulem sempre a estudar e permanecer na escola, apesar das intercorrências que possam sobrevir.
A importância dos pais no processo de matrícula notificarem a instituição sobre a doença do aluno, informações essas que são importantes, para que no momento de emergência do mesmo, a escola saiba reagir diante da situação, dê apoio nos momentos difíceis, como várias internações que o sujeito com a DF poderá enfrentar, que conseqüentemente afetará o rendimento escolar. A compreensão de professores é fundamental nesse processo, oportunizando possibilidades de tarefas extra-escolares, fazendo com que o estudante não perca os assuntos trabalhados em classe.
Dentro desse contexto escolar, uma disciplina curricular que desperta preocupação por suas características, é a Educação Física. Segundo MAIA et al. (2013), “O professor de Educação Física tem que estar informado de que o aluno com doença falciforme deve evitar esforços físicos exaustivos, respeitando seus limites e a necessidade de manter-se hidratado durante a prática de exercícios”. Sendo assim, é de fundamental importância que o professor de Educação Física tenha conhecimentos a cerca da DF, para que em suas aulas práticas, ele saiba adapta-las para que todos participem sem que ocasione alguma intercorrência, principalmente aos alunos adoecidos.
A ABADFAL (2013) recomenda a participação do estudante com a DF, nas aulas práticas de Educação Física, pois além de trazer benefícios a saúde há interação social entre os colegas. Interação essa, muito positiva para a melhoria da qualidade de vida desses sujeitos.
Apesar das recomendações acerca dos possíveis benefícios da participação dos alunos com DF nas aulas de Educação Física escolar, a questão norteadora do presente estudo é: qual o conhecimento dos professores de Educação Física sobre a DF das escolas públicas de Feira de Santana? O objetivo do presente estudo foi identificar qual o conhecimento dos professores de Educação Física escolar da rede pública de ensino de Feira de Santana sobre os cuidados com a doença falciforme.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i21.2555

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