Incidência do câncer infanto-juvenil em portadores de Síndrome de Down e avaliação do perfil epidemiológico das crianças internadas no setor de oncologia pediátrica do Hospital Estadual da Criança de Feira de Santana - BA

Agda Braga Teixeira

Resumo


O número de casos de câncer tem aumentado de maneira considerável em todo o mundo, principalmente a partir do século passado. Estima-se que a incidência mundial tenha um crescimento de 50% até 2020, (ALMEIDA; BARRETO, 2012), configurando-se, na atualidade, como um dos mais importantes problemas de saúde pública mundial (GUERRA; GALLO; MENDONÇA; 2015). Dentre as várias faixas etárias acometidas pela doença, encontramos o câncer pediátrico que representa de 0,5% a 3% de todos os tumores na maioria das populações, consistindo em um conjunto de neoplasias raras, de etiologia pouco conhecida (REIS; SANTOS, 2007). As crianças e adolescentes merecem especial atenção, visto que no mundo são diagnosticados mais de 160.000 casos de câncer nessa faixa etária. Desta forma, as neoplasias infantis representam hoje um problema de saúde pública ainda maior do que no passado, devido ao maior controle das doenças transmissíveis. Nos países desenvolvidos, o câncer é a segunda causa de morte mais frequente em crianças (BRAGA; LATORRE; CURADO, 2002), sendo que no Brasil, o câncer já é a terceira causa de morte por doença entre um e 14 anos (RODRIGUÊS; CAMARGO, 2003). A elucidação da etiologia do câncer infantil ainda não foi consolidada, porém acredita-se que tumores são provocados por agressões ambientais (agressões oncogênicas), como muitas outras doenças (infecciosas, parasitárias e nutricionais). A causa ambiental pode atuar de modo epidêmico (por exemplo: certos hábitos alimentares) ou esporadicamente, podendo ser condicionado por situações genéticas fortes e determinantes (SILVA, 2006). Como exemplo das questões genéticas, os estudos mostram que a Síndrome de Down (SD) é um transtorno geneticamente heterogêneo com diversas anormalidades. Crianças com síndrome de Down são mais propensas a desenvolver desordens
hematopoiéticas, sendo a incidência de Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) cerca de 33 vezes mais elevada nesta população (VIANA et al, 2015). Uma compreensão mais afinada dos aspectos ambientais, genéticos e sociais que envolvem a criança com câncer e sua família, respeitando suas individualidades e especificidades, enfim, toda a complexidade desse ser em crescimento inserido em um meio sócio-cultural-religioso contribui para uma assistência integral a estes pacientes. O presente trabalho tem como objetivo o levantamento de dados referentes á incidência de portadores de Síndrome de Down que desenvolveram o câncer infantil, assim como descrever aspectos epidemiológicos como tipos de câncer, aspectos demográficos e possíveis fatores de risco (genéticos e ambientais) e relações familiares, trazendo as representações sociais pertencentes ao núcleo doença em todos os pacientes atendidos em uma unidade de tratamento de câncer infantil, no período de Setembro de 2017 a julho de 2018.


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