ESTUDO DA DOR E DOS EFEITOS COLATERAIS DO TRATAMENTO ONCOLÓGICO EM PACIENTES SUBMETIDOS A QUIMIOTERAPIA

Brisa Santos Macedo

Resumo


A palavra câncer vem do grego "karkínos", que quer dizer caranguejo, e foi utilizada pela primeira vez por Hipócrates, o pai da medicina. Atualmente, câncer é o nome geral dado a um conjunto de mais de 100 doenças, que têm em comum o crescimento desordenado de células, que tendem a invadir tecidos e órgãos vizinhos. Com exceção dos neurônios, que nunca se dividem, as células saudáveis crescem de maneira ordenada, se multiplicam e morrem. O crescimento das células cancerosas difere das saudáveis. Em vez de morrerem, essas células continuam a crescer incontrolavelmente, dando origem a novas células anormais. O câncer se caracteriza pela perda do controle da divisão celular e pela capacidade de invadir outras estruturas orgânicas. (INCA, 2011).
A dor é um dos fenômenos mais temidos no cenário do câncer, devido à possibilidade de seus sinais aparecerem em todo o processo do adoecer, desde o momento do diagnóstico até situações de aplicação de procedimentos terapêuticos altamente invasivos e dolorosos, e em decorrência dos efeitos adversos do tratamento cirúrgico, quimioterápico e radioterápico (SAKIROGLU, 2009). A dor também é uma experiência que acompanha os casos de recidiva ou metástase à distância, e é proporcionalmente mais intensa na medida da progressão do tumor. Os aspectos psicológicos envolvidos na dor também têm papel de destaque na configuração geral do fenômeno. A característica multidimensional da dor requer uma compreensão integral sobre a fisiologia humana em consonância com a história de vida, antecedentes familiares, processos de aprendizagem, ambiente sociocultural, dentre outros (FRUTUOSO, 2004).
De acordo com a International Association for the Study of Pain, dor é uma sensação ou experiência emocional desagradável, associada com dano tecidual real ou potencial, ou descrito nos termos de tal dano. A severidade da dor não é diretamente proporcional à quantidade de tecido lesado e muitos fatores podem influenciar a percepção deste sintoma: fadiga, depressão, raiva, medo/ansiedade doença, sentimentos de falta de esperança e amparo. Pacientes com doença avançada se deparam com muitas perdas; perda da normalidade, da saúde, de potencial de futuro. A dor impõe limitações no estilo de vida, particularmente na mobilidade, paciência, resignação, podendo ser interpretada como um “saldo” da doença que progride.
A dor oncológica ocorre em 54% das crianças hospitalizadas e em 26% das atendidas em ambulatórios. Dentre as etiologias possíveis, ela pode ser causada pela própria doença (37% dos casos), pelo tratamento quimioterápico (41%) e procedimentos
invasivos como aspiração de medula óssea (78%) ou punção lombar (61%). (PENA, 2008).
Os tratamentos comumente usados para o tratamento do câncer muitas vezes ocasionam reações adversas e geram situações indesejadas para a criança, como náuseas, vômitos e processos álgicos. (VALLE, 2006).
Na cavidade bucal os principais efeitos colaterais da quimioterapia são a mucosite, xerostomia temporária e imunodepressão, possibilitando infecções dentárias ou oportunistas. Observam-se também hemorragias gengivais decorrentes da plaquetopenia e distúrbios na formação dos germes dentários quando administrada na fase de odontogênese (MINICUCCI et al,1994). A mucosite é uma inflamação e ulceração da mucosa, frequente e dolorosa, aparecendo de 3 a 7 dias após o início da quimioterapia e pode durar vários dias. Seu primeiro sinal é a presença de eritema no palato mole, mucosa bucal, ventre da língua e assoalho bucal, seguido de edema e ulceração. Dor, queimação e desconforto estão comumente presentes, sendo intensificados durante a alimentação. (SONIS et al,1996).


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