ESTUDO DA PREVALÊNCIA DE CISTOS NOS MAXILARES DIAGNOSTICADOS NO LABORATÓRIO DE PATOLOGIA BUCAL DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA, NO PERÍODO DE 2006 A 2017

Daisy Silva de Melo

Resumo


O cisto é definido como uma cavidade patológica frequentemente revestida por epitélio e preenchida usualmente por líquido, semi-líquido ou gás. (SCULLY, 2009) Ele subdivide-se em odontogênicos e não odontogênicos. Quando estes cistos resultam da proliferação de remanescentes epiteliais associados à formação dos dentes, como os restos epiteliais de Malassez, restos de Serres e folículo pericoronário recebem a denominação de cistos odontogênicos. Já os não odontogênicos são resultantes do aprisionamento de remanescentes epiteliais proveniente do ectoderma durante os processos embrionários da boca e face, desenvolvendo-se na linha de fusão dos ossos da face. (NEVILLE, 2009)
Os cistos odontogênicos são as lesões osteodestrutivas mais comuns no esqueleto humano e podem apresentar comportamentos clínicos diferentes. Com relação a sua origem podem ser classificados em cistos inflamatórios ou de desenvolvimento. (NUÑES-URRUTIA, 2010; DE SOUZA, 2010) As lesões inflamatórias surgem associadas a um dente sem vitalidade pulpar e são os cistos maxilares mais comuns. Seu revestimento epitelial deriva dos restos de Malassez e dependendo da natureza da resposta inflamatória, pode haver quadros de inflamação crônica ou até aguda com o aparecimento de abcessos. Os cistos de desenvolvimento geralmente são assintomáticos, porém apresentam um potencial de crescimento tornando-se amplos. (SCULLY, 2009)
O mecanismo de crescimento desta lesão está relacionado à invasão e destruição da matriz extracelular osteóide e da membrana basal, influenciada pela velocidade de destruição do tecido ósseo subjacente e pela proliferação do epitélio cístico. Como exemplo temos o cisto dentígero que confina a coroa de um dente não erupcionado, ligando-se à sua região cervical; ou ainda o cisto inflamatório periodontal, onde o epitélio do ápice de um dente com necrose da polpa pode ser estimulado pela inflamação para formar um cisto verdadeiramente revestido por epitélio, sendo observado uma tumefação do tecido. (SCHULZ, 2009; REGEZI, 2000)
Os cistos não odontogênicos são classificados em cistos de desenvolvimento na região oral e maxilofacial possuindo patogênese incerta. Estas lesões aumentam lentamente de tamanho possivelmente em resposta a um aumento ligeiro da pressão hidrostática luminal. (NEVILLE, 2009)
Recentemente a OMS publicou uma nova classificação dos cistos odontogênicos, lesões ósseas dos maxilares e tumores odontogênicos. A tabela abaixo apresenta a classificação dos cistos odontogênicos e não odontogênicos. (WRIGHT; VERED, 2017; SPEIGHT, 2017).

O diagnóstico de cistos na prática odontológica é relativamente comum, uma vez que a maioria deste tipo de lesão apresentam-se nos ossos gnáticos, área de atuação do Cirurgião-Dentista. A partir deste pressuposto destaca-se a importância do trabalho realizado pelo Centro de Referência em Lesões Bucais da Universidade Estadual de Feira de Santana (CRLB- UEFS) no diagnóstico, tratamento e produção científica acerca do tema, contribuindo para a formação de profissionais capacitados, bem como a exposição do mesmo para a comunidade e autoridades. Para tanto, justifica-se o presente trabalho.


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