Validade concorrente da escala de conforto para familiares de pessoas em estado crítico de saúde (ECONF) e o Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20)

Ednaldo Magalhães Ferreira Filho

Resumo


A internação em UTI gera um alto grau de estresse e ansiedade nas famílias devido muitas vezes a impossibilidade em se comunicar e principalmente pela gravidade clínica do paciente. Tais fatores podem interferir na capacidade dos familiares de desempenhar o papel de cuidador e também pode dificultar suas tarefas diárias (Jezierska et al, 2014).
A UTI caracteriza-se como uma unidade complexa dotada de sistema de monitorização contínua, que admite pacientes potencialmente graves ou com descompensação e que, com suporte e tratamento intensivos, aumenta a possibilidade de recuperação. Para os familiares essa experiência é percebida, muitas vezes, como agressiva e angustiante, requerendo dos profissionais uma comunicação clara e constante com as famílias a fim de reduzir o descontrole emocional diante do enfrentamento da possibilidade do rompimento do vínculo familiar (Puggina, 2014). Nesse momento, a atenção da família, está centrada na condição de ameaça à vida de seu parente e na sua evolução, e isto pode ocasionar um desconforto para com elas mesmas, como não se alimentar, não conseguir descansar, postergando suas necessidades e seus problemas de saúde (Freitas, 2012).
Em muitos momentos a família se sente impotente, aborrecida, inconsolável, solitária, triste e, culpada por não poder cuidar do seu familiar. O enfrentamento da crise provocada pela hospitalização pode provocar alterações psicológicas evidenciadas através de estados de angústia, ansiedade, medo, insegurança e depressão (Moreira; Martins; Castro, 2012).
Foi constatado que risco do familiar de paciente internado na UTIs desenvolver a Síndrome de estresse agudo e Transtorno de estresse pós-traumático (Stress Syndrome and Posttraumatic Stress Disorder- PTSD) varia de 33-49%, enquanto que o risco de depressão é estimada em 6% a 26%, dependendo do momento do estudo. Já o risco estimado de PTSD em famílias cujo o parente faleceu na UTI é de 14-56% e o risco de depressão é de 18-42%, incluindo transtornos depressivos graves cuja incidência é de 27% (Jezierska et al, 2014).
Diante do exposto sobre a hospitalização de um familiar em uma UTI, condição que leva a família a vivenciar situações de desconforto, reconhece-se a importância da adequada aferição do construto conforto no contexto brasileiro. Frente a esse panorama, Freitas (2012) construiu um instrumento que permite a avaliação do nível de conforto vivido por familiares no contexto da unidade de terapia intensiva, denominado Escala de Conforto para Familiares de Pessoas em Estado Crítico de Saúde (ECONF). Assim,
tendo em vista a importância de se utilizar instrumentos de medida validos propõe-se como objetivo avaliar a validade concorrente da ECONF a partir de um critério externo.
Nesse estudo o instrumento utilizado como critério foi o Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20) que foi desenvolvido, na década de 1970, pela Organização Mundial de Saúde (OMS) com propósito de avaliar os impactos dos transtornos mentais comuns (TMC) na atenção básica em países em desenvolvimento. Os TMC são sintomas não psicóticos, que podem ser insônia, fadiga, irritabilidade, esquecimento, dificuldade de concentração e queixas somáticas.Atualmente na literatura científica, observou uma variabilidade da especificidade em pesquisas internacionais de 44%19 a 95,2%, enquanto entre estudos nacionais verificou-se de 74,6% a 89,3%; já a sensibilidade variou de 73%5 a 89,7% e de 57% a 86,3%, respectivamente para pesquisas fora do país e no país (Santos et al, 2011).
Este estudo poderá contribuir para o fortalecimento da Escala de conforto de familiares como medida válida, estabelecer uma relação entre as duas escalas e bem como identificar o nível de conforto e as alterações psíquicas desenvolvidas por familiares decorrente a hospitalização de um ente. Tal conhecimento contribui para fomentar a discussão sobre o tema e suas possibilidades de intervenção pelos profissionais de saúde com intuito de minimizar os desconfortos de ordem psíquica e emocional vividos por estes indivíduos.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i22.3827

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