FIO DE PESCA: INSTRUMENTO VÁLIDO PARA PESQUISA DE NEUROPATIA DIABÉTICA PERIFÉRICA?

Gabriela Hanna Maia dos Santos Oliveira

Resumo


A neuropatia diabética (ND) é uma das complicações crônicas mais prevalentes
do diabetes mellitus (DM). Este grupo heterogêneo de condições afetam diferentes
partes do sistema nervoso periférico e autonômico (ADA, 2018). As anormalidades
neurológicas ocorrem tanto no Diabetes tipo 1 quanto no tipo 2, assim como em formas
de diabetes adquiridas (GALGIARDI, 2003.)
A ND não é uma entidade única e simples, mas representa um conjunto de
síndromes com variadas manifestações clínicas ou subclínicas. Para fins práticos, é
possível classificar a ND em somática (autonômica), focal (mononeurites e síndromes
compressivas) e difusa (neuropatias proximais, polineuropatias simétricas distais,
acometimento de grandes fibras e acometimento de pequenas fibras) (GAGLIARDI,
2003).
Sua prevalência é elevada e proporcional à duração da doença assim como ao
seu controle, chegando a frequências de 50% de lesão neuropática em diferentes grupos
de pacientes analisados nos âmbitos nacional e internacional. (SBD, 2018). Percebe-se,
então, que ela compromete a sensibilidade protetora, tornando o paciente diabético mais
vulnerável a traumas, visto que ele pode não perceber o estímulo agressor e,
consequentemente, não se defender de tal estímulo. Esse quadro, associado às
características clínicas do DM, predispõe ao surgimento de úlceras e evolução para
amputação de membros (CARVALHO, 2009).
Considerando-se a relevância dessa complicação clínica, a American Diabetes
Association (2018) recomenda que todos os pacientes com DM2 desde o momento do
diagnóstico devem ser triados com testes clínicos simples como o do monofilamento de
10g para detecção precoce de neuropatia diabética periférica (NDP), visto que a
detecção e identificação precoce do processo neuropático oferecem uma oportunidade
crucial para o paciente diabético, no sentido de ativamente procurar o controle
glicêmico ótimo e implementar cuidados corporais com redução da morbidade
(GAGLIARDI, 2003). Tais orientações fundamentam-se no fato de que o rígido
controle glicêmico é a única alternativa reconhecida para retardar a progressão da ND
no DM2 (ADA, 2018).
A profilaxia das complicações neuropáticas deve ser iniciada pela identificação
do grau de neuropatia e, portanto, do déficit neurológico. Isto é possível, atualmente,
por meio de avanços na avaliação de sensibilidade cutânea nos membros inferiores
(CARVALHO, 2009). Um exemplo é o uso já consolidado do monofilamento de
SemmesWeinstein (estesiômetro) que oferece medidas quantitativas como resultado
(CARVALHO, 2006).
Diante do exposto, inquieta-nos saber se o fio de pesca (um monofilamento,
doméstico) poderia ser viável na avaliação da sensibilidade protetora e conhecer as
possíveis vantagens deste, já que o custo do monofilamento classicamente usado, muitas
vezes inviabiliza sua utilização mais abrangente.


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