RESPOSTA CLÍNICA AOS DIFERENTES ESQUEMAS TERAPÊUTICOS E DE SUPORTE NO TRATAMENTO DA CHIKUNGUNYA EM FEIRA DE SANTANA

Murilo Fernandes de Souza

Resumo


O Chikungunya vírus (chikv) é um alphavirus transmitido principalmente pelos mosquitos Aedes aegypti, na zona urbana, e pelo Aedes albopictus, na zona rural (LEMANT et al., 2008). O ciclo de transmissão silvestre do chikv ocorre silenciosamente, com intervalos de latência de 3-4 anos, antes de ocorrerem os surtos da doença nas comunidades (BARRETT; WEAVER, 2002).
Nos últimos 50 anos tem ocorrido surtos frequentes de chikv na Ásia e África (BETTADAPURA et al., 2013). Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (2016), no fim de 2015, cerca de 1 milhão de casos tinham sido notificados nas Américas, resultando em 71 mortes, e a transmissão autóctone reportada em mais de 50 países. No Brasil, a transmissão dentro do território foi confirmada em setembro de 2014, no Amapá e em Feira de Santana-BA, tendo esta última 4088 notificações em 2015, representando quase 20% de todos os casos notificados no país (RODRIGUES, 2016). Nunes et al (2015) sugerem, em análises epidemiológicas, que aproximadamente 94% da população brasileira está em risco de ser infectado pelo chikv.
Os sintomas da infecção por chikv incluem febre alta, calafrios, dor de cabeça, fotofobia e uma erupção petequial ou erupção cutânea maculopapular. Infecções assintomáticas podem ocorrer, mas são raras, sendo observada em cerca de 20% dos indivíduos infectados (LEMANT et al., 2008).
A doença possui um período de incubação de dois a doze dias, e pode manifestar-se clinicamente de três formas: aguda, subaguda e crônica. Na fase aguda, os sintomas são muito parecidos com aqueles da dengue, exceto a característica e a intensidade do comprometimento articular, mais frequente nas extremidades e grandes articulações; essa artrite/artralgia geralmente simétrica e intensa, podendo apresentar edema associado à rigidez e à limitação de movimento (BORGHERINI et al., 2007). A poliartralgia dolorosa é um sintoma típico e pode persistir em 10% dos casos por vários
meses, causando sérios impactos econômicos e sociais individuais e para suas comunidades (PARASHAR; CHERIAN, 2014).
O tratamento é sintomático com analgésicos, antipiréticos e anti-inflamatórios não-esteroidais nas fases aguda e subaguda (BETTADAPURA et al., 2013). Na fase crônico associa-se o uso de corticoides e drogas usadas no tratamento de doenças reumáticas. O uso de terapias complementares também têm sido instituídas (fisioterapia, acupuntura e outras) no suporte e/ou tratamento da Chikungunya.
A alta possibilidade de ocorrência de epidemias no Brasil devido à grande densidade do vetor, à presença de indivíduos susceptíveis, à intensa circulação de pessoas em áreas endêmicas, à já instalada epidemia em Feira de Santana e cronificação de sintomas da doença ratificam a necessidade de avaliar as terapêuticas e suporte de tratamento instituído nas fases aguda, subaguda e crônica; e identificar possíveis fatores de cronificação da Chikungunya, na Rede de Saúde do município, a qual poderá ser sobrecarregada devido ao número elevado de pacientes que necessitam de atendimento.
Nesse sentido o presente trabalho apresentará uma amostra da terapêutica instituída em pacientes crônicos de Chikungunya, ainda na fase aguda, subaguda e crônica, relatadas pelos mesmos e por análise de prontuário da Secretaria Municipal de Saúde de Feira de Santana, bem como o estado clínico que os mesmos se apresentavam ao entrar no estudo.


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