ANSIEDADE ENTRE DESEMPREGADOS COM FOCO EM DIFERENCIAIS DE GÊNERO

Priscilla Pinto Araujo

Resumo


A concepção de trabalho transcende a ideia de fonte de sustentação econômica e material; o trabalho expressa também, uma perspectiva ontológica e psicossocial, onde há a constituição de identidades, de representação subjetiva, realização pessoal e humanização do mundo e das atividades nele executadas (Moura, 1998; Antunes, 1999). Em virtude disso, torna-se relevante considerar os impactos que o trabalho, sob determinadas condições, pode ter sobre a saúde, assim como, a sua ausência (no caso, o desemprego) pode implicar negativamente na saúde mental dos indivíduos (Pinheiro; Monteiro, 2007).
O desemprego constitui um problema para além do indivíduo, sua gênese está associada a fatores macrossociais, históricos (Barros, Oliveira, 2009) e principalmente, envolvem dimensões de classe, institucionais, biográficas e subjetivas (Souza, 2010). A relação entre o desemprego e a saúde mental pode ser entendida pelo sentido positivo do trabalho para cada indivíduo, como, por exemplo, a troca de experiências e contato com outras pessoas. Em uma situação de desemprego esses aspectos, que são determinantes para a saúde mental, podem ser afetados ou até mesmo perdidos (Uhmp, 2000). Em consequência disso, entre os efeitos psicológicos do desemprego na saúde mental dos indivíduos, destaca-se a insatisfação com a vida, baixa autoestima, problemas familiares e, sobretudo, a ocorrência de transtornos mentais como a ansiedade (Warr 1987; Hammarstrom, 1994).
Tendo em vista que as investigações de estimativas de prevalência de transtornos mentais na população geral são de suma importância para a saúde pública, avaliar as implicações do desemprego na saúde mental de homens e mulheres, se faz necessário na medida em que a condição do indivíduo nas sociedades depende da sua inserção nos sistemas de trabalho. Quando esse sistema é rompido, resulta para quem o vivencia, na sensação de fracasso pessoal, desqualificação social, marginalização, insegurança, angústia, crises e tensões, favorecendo dessa forma, à ocorrência de ansiedade.
Considerando que a pesquisa “Caracterização da Situação de Saúde Mental em Feira de Santana, Bahia, Brasil” busca contribuir para um melhor dimensionamento dos agravos à saúde mental da população de Feira de Santana, e possibilitar a construção de políticas públicas para esse campo, este estudo teve como objetivo avaliar fatores associados a ansiedade entre homens e mulheres em situação de desemprego do município de Feira de Santana, Bahia.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i22.3878

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