ESTUDO DOS NÍVEIS DE IgG ESPECÍFICA PARA O PEPTÍDEO K17 DE Porphyromonas gingivalis ATCC 33277 NA PERIODONTITE CRÔNICA

Yuri Andrade de Oliveira

Resumo


A periodontite crônica é uma inflamação progressiva do periodonto, caracterizada
clinicamente por inflamação gengival, sangramento à sondagem, perda de inserção
periodontal e do osso alveolar e por bolsa periodontal (CATON et al., 2018). Sua etiologia
está relacionada à exacerbação da resposta imune inata e adaptativa diante da presença de um
biofilme subgengival sinérgico e disbiótico. Dentre os microrganismos estudados, destaca-se
Porphyromonas gingivalis, considerado patógeno-chave na disbiose oral (HAJISHENGALIS
& LAMONT, 2014). Em sua interação com o sistema imune do hospedeiro, P. gingivalis
apresenta fatores de virulência, tais como as gingipaínas, suas principais proteases (GUO,
NGUYEN & POTEMPA, 2010).
As gingipaínas apresentam capacidade de adesão, degradação tecidual e evasão das respostas
do hospedeiro. São moléculas que promovem aumento da permeabilidade vascular através da
liberação de bradicinina, o que contribui para a produção de fluido gengival e formação de
edema nos sítios periodontais infectados, suprindo a nutrição bacteriana (IMAMURA, 2003).
Elas estão envolvidas, especialmente a Lys-gingipaína (Kgp), na degradação de junções de
adesão das células epiteliais, o que pode contribuir para a invasão de tecido conjuntivo
periodontal por P. gingivalis (KATZ et al., 2002).
Identificar e analisar peptídeos com atividade imunogênica em Kgp pode contribuir para a
compreensão da influência do microrganismo na etiologia da doença periodontal, bem como
para o entendimento dos mecanismos de resposta do hospedeiro à infecção.
A predição de peptídeos imunogênicos por bioinformática tem sido uma ferramenta útil para
estudos de imunogenicidade do patógeno (BITTNER-EDDY et al., 2013). Tal análise in
silico possibilita a identificação na sequência proteica dos peptídeos com potencial
imunogênico, os quais, após a síntese química, tornam-se promissores para aplicação
biotecnológica.
Assim, peptídeos sintéticos de Kgp, obtidos a partir da análise in silico da sua sequência de
aminoácidos, capazes de ser reconhecidos por IgG humana específica, podem auxiliar no
estudo deste fator de virulência e na busca pelo entendimento da patogenicidade de P.
gingivalis.
Diante do exposto e por ser a periodontite uma doença de alta prevalência na população
mundial (OPPERMANN et al., 2015), que pode levar a diversos agravos na saúde do
indivíduo (DYKE & WINKELHOFF, 2013; CATON et al., 2018), torna-se necessário o
estudo dos mecanismos de interação entre o patógeno e o hospedeiro, para o melhor
conhecimento da patogênese da doença.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i22.3897

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