DESOBEDIENCIA EPISTEMICA

Ângelo de Oliveira França

Resumo


Em nossa sociedade existem assuntos que precisam ser mais bem digeridos a fim de problematizar várias incoerências históricas e sociais produzidas no período colonial. Esse período ficou fortemente marcado pelas desigualdades existentes. Um dos meios pelos quais essa condição desigual se dava situava-se principalmente na questão racial à qual os sujeitos não europeus foram postos em lugar hierárquico de inferioridade (QUIJANO, 2005).
É importante destacar que os povos resistem de maneira firme as intervenções feitas por grupos hegemônicos. Após a busca inicial por entender os processos de resistência dos povos, começam a surgir outras necessidades, como a de combater as formas de opressão simbólica a qual esses povos subalternizados sofriam. Sendo assim, a resistência assume uma nova roupagem, onde os grupos passam a tentar combater o poder simbólico dos colonizadores e não apenas o seu poder bélico e econômico. É através desse momento que se inicia uma caminhada mais ampla de resistência, onde os sujeitos subalternizados não aceitam a condição de inferioridade que lhes é imposta, entendendo que a suas formas de organização sociais são importantes e devem ser reconhecidas.
Sendo assim faremos aqui um caminho que vai em busca de entender como é possível uma desobediência epistêmica e também como ela se dá em um cenário tenso de enfrentamentos, resistências e também de negociações de sentidos. Discutiremos a questão da desobediência enquanto reação nesse processo de tentativa de subalternização descrito acima. Buscaremos em seguida entender as condições de possibilidades para trilhar um caminho descolonizador.
Para construir conceitualmente esse caminho, utilizaremos pensadores latinos-
americanos que trabalham pensamentos descoloniais. Dentre eles podemos destacar Anibal Quijano e Walter Mignolo. Em um primeiro momento, analisaremos o conceito de colonialidade do poder desenvolvido por Anibal Quijano, que aponta para um modelo político-ideológico de manutenção do poder, assim como as formas de atuação deste modelo enquanto representação de posições hierárquicas.
Em seguida, discutiremos o conceito de diferença colonial, fundado por Walter Mignolo, que pensa as disputas existentes entre os sujeitos hegemônicos e os sujeitos excluídos socialmente. O conceito de pensamento liminar, produto dessas disputas entre poder hegemônico e contra hegemônico, também se apresenta indispensável em nossa investigação. Através dele podemos entender melhor como se constitui o processo de desobediência epistêmica. Entender os conceitos acima citados é essencial para a nossa investigação, justamente por fazerem um caminho que percorre os diversos momentos das relações de poder existentes.


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