A ESCOLHA PELO SOFRIMENTO

Felipe de Oliveira Ferreira Santos

Resumo


Nosso ponto de partida foi o questionamento: de que maneira o existencialismo sartriano, a partir do conceito de escolha original, pode explicar a escolha pela infelicidade como modo de vida? Sartre dirá em O ser e o nada (1943) que poucas vezes o projeto que demarca uma vida é realizado com alegria. A vida é repleta de tristezas, o sofrimento e a melancolia, não raro, são a maneira pela qual escolhemos habitar o chamado “nosso mundo”. O objetivo geral, portanto, foi percorrer e confrontar o conceito sartriano de escolha original frente ao dilema ético da escolha pelo sofrimento. Através de sua ontologia fenomenológica, o autor analisa profundamente os modos pelos quais a escolha original pode ser feita na má-fé. Aqui, foi necessário interrogar o conceito de má-fé que, segundo o autor, pode ser indicado em certas condutas como a “automentira”, que está longe de ser uma simples mentira interpessoal. A partir daí, foi preciso reconhecer: a liberdade de escolha localiza-se em toda parte, e a escolha original “um verdadeiro irredutível (…) uma exigência fundamentada em uma compreensão pré-ontologica da realidade humana” (1943, p. 686). A dificuldade do conceito de escolha original reside, principalmente, em sua grandeza. Evidenciada nas atitudes mais banais, na unidade de um só ato. O estudo do comportamento humano conduzirá Sartre ao desenvolvimento de uma psicanálise aos moldes “existenciais”: um método, antes de tudo, hermenêutico. “É sobretudo por uma comparação entre as diversas tendências empíricas de um sujeito que iremos tentar descobrir e destacar o projeto fundamental comum a todas (…) em cada uma delas acha-se a pessoa na sua inteireza” (2014, p. 690). À guisa de uma leitura rigorosa de sua proposta de psicanálise, a viabilidade e relevância desse projeto residiram na possibilidade constatada de uma modificação radical de nossa escolha original, pois a escolha não é um impulso inicial cujo percurso me caberá realizar: a escolha é nadificação e, logo, sua reassunção contínua é necessária. O rompimento será o momento em que a angústia é testemunha de nossa condição injustificável, em que já nos vemos comprometidos num futuro de maneira distinta. E também por acreditar que a dor precisa ser transformada, nunca contrariada ou suprimida – como faz supor a leitura das predominantes correntes biologicistas.

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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i22.3910

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