O FEMININO ATRAVÉS DO MITO DA POMBAGIRA E DO MITO DA VIRGEM MARIA EM FEIRA DE SANTANA (1980 – 2002)

Indiara Oliveira de Almeida

Resumo


A cidade de Feira de Santana ao longo do século XX vivenciou várias mudanças socioculturais, tornando-se uma referência em saúde, devido as suas árvores e lagoas comuns nos arredores da cidade. Os médicos higienistas do período buscavam recomentar a cidade para os enfermos que não possuíam condições de ir até o Rio de Janeiro. Porém, na segunda metade do século XX, cidade passou por grandes transformações urbanas, ocorrendo entre os anos de1968 a 1985 o processo de industrialização em Feira de Santana, estimulado pela interiorização industrial ocorridas entre 1950 e 1960 que foi estimulado pelo Governo Federal com a inauguração de Brasília. (SILVA, 2000.)
A instalação do Centro Industrial Subaé (CIS) no município de Feira de Santana foi criado com a finalidade de complementar as atividades do Centro Industrial Aratu (CIA) localizado em Simões Filho. O polo industrial da Cidade exerceu um importante papel no desenvolvimento urbano de Feira de Santana, que passou a ser também um entroncamento rodoviário, com importantes rodovias como a Feira-Salvador (BR – 324) e a Rio-Bahia (BR – 116) que tinham como objetivo escoar a produção destinada ao consumo nordestino e a passagem de fluxos migratórios do nordeste para o sudeste. (OLIVEIRA, 2008.)
Paralelamente as transformações sócio-urbanas, Feira de Santana também vivenciou um processo de tensões e conflitos no campo religioso, sendo o período em comemoração da festa de Nossa Senhora Sant’Ana, a Padroeira da Cidade, o momento onde os conflitos religiosos eram evidenciados. Nesta festa, havia disputas religiosas onde os representantes da Igreja Católica liderava os cortejos religiosos, sendo acompanhada pela elite feirense, demarcando uma divisão de classe e raça. Paralelamente havia também a presença das Baianas, identificadas como Yalórixás que realizavam os rituais considerados profanos na festa de Sant’Ana. A essas mulheres eram relegadas as últimas posições no cortejo religioso, cabendo a elas respeitar a hierarquia existente na cidade. ( OLIVEIRA, 2016.)
Devido à presença constante das mulheres no campo religioso da cidade, buscamos compreender os discursos relacionados à figura feminina, através dos mitos da Pombagira, um Orixá feminino identificado pela sensualidade e irreverência no Candomblé, e da Virgem Maria, a mãe de Jesus, símbolo de pureza e abnegação feminina no Catolicismo. Esses mitos são utilizados na pesquisa como parâmetros para compreender as mulheres a partir das devoções religiosas em Feira de Santana, no período de 1980 a 2002.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i22.3912

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