A EUDAIMONIA, O BEM MAIS DIGNO DE SER ESCOLHIDO

Isaias Azevedo Rocha

Resumo


Para a construção do arcabouço teórico deste trabalho, foram utilizados os estudos de Aristóteles como teórico principal, que versa sobre o seu pensamento ético bem como os estudos de outros teóricos comentadores do filósofo principal, como Zingano, Wolf, Kraut, Lawrence e Ross.
Segundo Aristóteles, toda investigação, toda ação e toda decisão visam algum bem, desse modo, pode-se afirmar que tudo aquilo a que o homem aspira é chamado de bem (agathon), ou seja, Aristóteles afirma que existe um “bem humano”. Mas, o que seria esse bem humano? A respeito desse questionamento, Gavin Lawrence (2009, p. 43) diz que:
Não apenas podemos perguntar pelo que é o melhor a ser feito, mas o próprio ato de perguntar e buscar isso é o que significa ser racional no sentido pratico. O “bem humano”, assim concebido, é simplesmente o objeto (formal) do propósito racional.
Assim, uma resposta superficial para esse questionamento é a de que o bem humano seria simplesmente uma vida boa e bem-sucedida, pois é isso que a maioria dos homens busca incansavelmente. Desse modo, parece que viver bem é a melhor coisa que se pode buscar na vida. Portanto, a tarefa da razão seria buscar essa vida agradável e um modo de preservá-la, ao que parece, viver bem é ter uma vida boa. Segundo Gavin Lawrence (2009), essa vida boa é mais do que a satisfação dos desejos que desejamos ter, tem outras questões que contam como ser bem-educado nos modos de proceder das virtudes – ter o critério correto de sucesso na ação e uma experiência geral de vida.
Para Aristóteles, existem dois tipos de atividades: as que não possuem um fim distinto da ação em si, uma energeia e existem atividades, cujo fim é distinto da própria ação, ergon, como assevera o autor ao enunciar que
Mas entre os fins observa-se uma certa diversidade: alguns são atividades, outros são produtos distintos das atividades das quais resultam; e onde há fins distintos das ações, tais fins são, por natureza, mais excelentes do que as últimas. (Et. Nic. I, 1094a, 3-4).
Considerando essa distinção, Aristóteles estabelece uma ordem hierárquica para as atividades. São superiores as atividades que não possuem um fim distinto da ação em si, como por exemplo, o ato de ver, o ato de pensar e também o agir ético1. São inferiores as atividades, cujo fim é distinto das ações, como todas as atividades que geram um produto: o ato de construir, o ato de fabricar. Nesse sentido, o fim da ação da construção de uma casa não é o ato em si de construir, mas o seu produto – a casa.


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