EXPANSÃO URBANA DE SANTO ESTEVÃO-BA: PROCESSOS E INFLUÊNCIAS DO CRESCIMENTO DA PERIFÉRIA

Leniara da Conceição Silva

Resumo


Ao longo das últimas décadas, as cidades, independente da sua grandeza, passam por processos de aumento territorial, consequentemente, ocasionados pelo crescimento da população urbana e de outros interesses, de forma, muitas vezes, desordenada. Nas cidades pequenas, em específico, o processo no qual essa realidade faz existir dar-se, principalmente, pela saída do homem do campo para a cidade, face à construção de uma nova realidade social, fruto do capitalismo, que criou modelos, modo de vida e de sociabilidade, que favorecem, então, à migração desses sujeitos. Assim, “Não há como discordar que os valores e interesses urbanos traduziram-se em costumes disseminados por quase todo território, contrapondo uma cultura diferenciada”. Contudo, esse processo pode ser compreendido de maneira mais ampla. Há uma nova condição de vida, a condição urbana. Essa condição pode gerar uma nova sociedade, a sociedade urbana, conforme Beaujeu-Garnier (1997 apud ENDLICH, 2006, p.25)
Com base nessa lógica, sobre a produção e expansão das cidades, não se pode falar em crescimento das mesmas sem que se faça um retrospecto histórico sobre a produção do espaço urbano, afinal a cidade é o produto, condição e meio para a reprodução das relações sociais. Assim, segundo Carlos (2007), a cidade é o resultado das relações socioespaciais e econômicas de uma determinada sociedade, carregadas de contradições e usos que estão alicerçadas na sua produção. Sua compreensão vai além da relação do ser social com o meio, envolve o trabalho, o espaço-tempo e a materialização da produção.
O reconhecimento dessa dinâmica, das transformações urbanas, intencionalidades econômicas e efeitos nas relações socioespaciais, tratados por Santos (1995), também incorrem nas cidades pequenas, o que fez surgir um olhar investigativo para Santo Estevão-BA. A pesquisa se baseia no estudo analítico do processo de urbanização, especialmente, as mudanças e crescimento urbano observado ao longo dos
anos na cidade, assim com também a expansão periférica e o aumento da malha urbana em uma escala de tempo, face principalmente, ao êxodo rural, que influenciaram também esse processo.
Santo Estevão é uma cidade pequena do interior da Bahia, localizada do portal do sertão, próxima 53 km da segunda maior cidade baiana, Feira de Santana. O município se estende em unidade territorial, segundo o IBGE (2010), de 362,961 km2, com população, em 2010, de 47.880 habitantes.
Santo Estevão se destaca em população e taxa de urbanização entre algumas cidades vizinhas e exerce papel de sub-centro polarizador, com destaque nas suas atividades do terciário. É essa sua funcionalidade que faz com que o centro exerça papel importante no contexto microrregional. Por isso, a expansão urbana e a materialização desse espaço influenciam no desenvolvimento da cidade, com base nas relações socioeconômicas, o que representa mudança continua na produção do espaço intraurbano e um processo de urbanização muito mais acelerado em Santo Estevão, em relação as outras pequenas cidades situadas no seu entorno.
Foi com base nessas observações supracitadas que elegeu-se como problema principal analisar quais fatores influenciaram no acelerado crescimento da cidade de Santo Estevão, focando na investigação do processo de expansão periférica da mesma; ou seja, como os fatores que influenciaram esse crescimento, a exemplo do êxodo rural, a transição econômica, o modo de vida das pessoas, assim o movimento socioeconômico e as relações que estão inseridas nessa dinâmica.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i22.3921

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