ARTE-EDUCAÇÃO NO ENSINO DO LUGAR EM FEIRA DE SANTANA: OLHARES E POSSIBILIDADES DA CIDADE EDUCATIVA

Daiane Correia de Vasconcelos

Resumo


A Arte-educação tem o papel fundamental no desenvolvimento da capacidade
intelectual do indivíduo, sobretudo através do olhar observador. A interdisciplinaridade
inerente a esta permite que se estabeleçam diálogos com outras áreas do conhecimento e
o seu caráter lúdico pode tornar o ensino prazeroso e encantador. Esta metodologia de
ensino foi sistematizada pioneiramente no Brasil por Ana Mae Barbosa, através da
abordagem triangular que se centra em três princípios: contextualização histórica, fazer
artístico e apreciação artística (BASTIANI; GUIMARÃES; JÚNIOR; PAZ, 2011).
No mundo contemporâneo ainda encontram-se escolas desvinculadas da
realidade social daqueles que a compõe, visto que estão centradas essencialmente no
livro didático. Portanto, para que a escola seja uma extensão da vida dos seus alunos, o
processo educativo deve ir além dos espaços formais. Nesse sentido, destaca-se a cidade
que, por sua vez, é potencialmente educativa, pois segundo Fernandes (2009, p. 59)
“[...] contempla um universo ampliado de práticas educativas que acontecem dentro e
fora das instituições escolares e não-escolares” e envolve “[...] equipamentos e
instituições sociais, artísticas, culturais e de lazer e espaços públicos disponíveis no
espectro da cidade, em seus centros urbanos e periféricos”.
Gomes (2008, p. 10), destaca que “a cidade é um álbum de imagens obtidas de
variados pontos de vista e só essa multiplicidade pode ser de alguma forma
representatitva ou geradora de identidades”, nesta perspectiva a cidade constitui-se em
um locus privilegiado de educação, tornando-se uma cidade educadora. Uma das
premissas da cidade educadora, segundo Simões (2010, p. 30), é que “[...] a escola e a
família deixariam de ser os intervenientes exclusivos da educação, interagindo hoje,
neste campo, inúmeras organizações e escalas de intervenção”, logo, os diálogos entre
escola e família assumem um papel para além do seu caráter tradicional. A cidade
educadora se caracteriza como “uma proposta educadora de educação formal, não
formal e informal” (FIGUEIRAS, 2008, p. 19 apud SIMÕES, 2010, p. 30), assim, pode
trazer outros olhares para o processo de ensino-aprendizagem, visto a possibilidade de
dialogar com espaços alternativos da própria cidade.
Assim sendo acredita-se que a arte-educação no ensino de geografia, tendo como
mediadora a cidade educativa , pode contribuir para a construção de conhecimentos 1
aproximando-os da realidade dos alunos, pois possibilita diálogos entre a escola, os
espaços experienciados e a formação cidadã e humana. A arte possui a liberdade de
(re)significar sentimentos e valores, bem como para questioná-los. Assim, esta
1 A escolha deste conceito é em razão de Feira de Santana ainda ser apenas uma cidade educativa, isso
porque não abrange todas as potencialidades educadoras que envolvem diversos segmentos da sociedade
que devem trabalhar em conjunto com vistas à superar as funções tradicionais e regulamentadas da
cidade.
metodologia educativa pode contribuir para a construção de conhecimentos geográficos
pois possibilita a compreensão das leituras e interpretações do espaço, através das
formas de percepção e representações de situações cotidianas dos alunos.
Diante do exposto, pretendeu-se responder através desta pesquisa ainda em
andamento, os questionamentos: Como formar cidadãos se a educação escolar ainda é
essencialmente centrada no livro didático e afasta os alunos da sua realidade, da sua
cidade? De que forma a arte-educação pode contribuir para a aproximação entre as
realidades experienciadas pelos alunos com os conteúdos geográficos? Que estratégias
podem ser pensadas para que a cidade enquanto espaço não-formal potencialmente
educativo contribua na construção de conhecimentos geográficos acerca do lugar Feira
de Santana, bem como para a formação cidadã?
Na tentativa de responder aos questionamentos supracitados foi desenvolvida
uma pesquisa de caráter qualitativo e extensionista, no âmbito da escola básica,
objetivando mediar a produção vídeo sobre Feira de Santana, no estilo Draw my life , 2
com os sujeitos da pesquisa, considerando suas relações com este lugar, que
encontram-se sob edição e análise e, portanto, será socializado posteriormente. Para
tanto, foi realizada uma oficina na escola-campo tendo como base metodológica uma
adaptação à abordagem triangular da Ana Mae Barbosa, visando a contextualização
histórica e a apreciação artística, que se deu por meio da socialização de obras da
cartografia alternativa e de narrativas sobre Feira de Santana.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i22.3952

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