Que bichos conhecemos? Trabalhando classificação a partir de conhecimentos tradicionais com jovens rurais da EFA Valente

Diany Kelly Cardoso de Sousa

Resumo


presente trabalho relata as atividades de pesquisa realizadas junto a escola
Família Agrícola Avani de Lima Cunha, cujo foco esteve voltado para o diálogo de
saberes, por meio de oficinas interdisciplinares envolvendo a temática Diversidade
Biológica animal. Com o intuito de realizar um levantamento dos conhecimentos
etnozoológicos dos estudantes da Escola Família Agrícola de Valente, de modo a
conhecer as estratégias de classificação biológica utilizadas por eles, como meio de
promover um diálogo entre saberes tradicionais e científicos na escola. E por fim avaliar
qual a potencialidade de oficinas de ciências que versam sobre o tema da diversidade e
classificação biológica na promoção do diálogo entre saberes.
A escola do campo assim como o campo, possui cultura própria, cultura esta que
está associada aos conhecimentos tradicionais, que podem ser definidos como “o saber e
o saber fazer, a respeito do mundo natural e sobrenatural, gerados no âmbito da
sociedade não urbano/industrial e transmitidos oralmente de geração em geração”
(DIEGUES, 2000, p 30). Possuindo assim sua própria interpretação da natureza e de
seus fenômenos. O homem têm utilizado diferentes modos de classificação que
expressam diferentes formas de entender e explicar o universo e os seres que nele
vivem. Esse conhecimento compõe a marca de determinados grupos e não pode ser
desconsiderado ou inferiorizado no processo de ensino e aprendizagem de ciências.
Portanto ao trabalhar com diversidade biológica, é imprescindível, conforme Baptista
(2010), a demarcação e a promoção do diálogo entre o saber tradicional e o científico.
A escola em questão, desenvolve seu projeto a partir do preceito da Pedagogia
da Alternância (EFA VALENTE, 2015), e neste contexto educacional, os estudantes
tem a oportunidade de um diálogo constante entre conhecimentos oriundos do ambiente
familiar e aqueles adquiridos no processo de educação formal, escolarizada, abre-se
portanto um campo profícuo de pesquisa e intervenção, tomando os princípios teóricometodológicos
da etnobiologia. A etnobiologia enquanto ciência que em essência se
ocupa em estudar os diferentes conceitos e conhecimentos produzidos por diferentes
grupos sociais sobre questões biológicas (POSEY, 1987), permite a articulação entre
diferentes culturas e diferentes modos de conhecer e conceber a natureza, por isso,
optou-se por utilizá-la como ponte pela qual se estabeleceria o diálogo de saberes
durante a realização dessa pesquisa.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i22.3953

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