RECURSOS CARTOGRÁFICOS TÁTEIS NO ENSINO DO LUGAR (FEIRA DE SANTANA): DESAFIOS E POSSIBILIDADES

Juliana Oliveira dos Santos

Resumo


Os instrumentos jurídicos que tratam da inclusão de pessoas com Necessidades Educacionais Especiais (NEE), representam um grande avanço social, pois gradualmente têm assegurado o direito à educação para grupos minoritários e excluídos do processo educacional. Nesse sentido, os mesmos primam, sobretudo, pela escolarização dos educandos em classes regulares, para que tenham a oportunidade de participarem ativamente de todas as etapas do processo educativo, colaborando na aquisição de capacidades sócio-adaptativas, facilitando sua aprendizagem e contribuindo para redução da discriminação.
A Educação Inclusiva é um desafio à sociedade para incluir alunos com NEE nas escolas regulares. Entretanto, a palavra inclusão vai além de inserir o aluno na escola regular, passando, principalmente, a garantir as condições necessárias à aprendizagem e à permanência dos sujeitos no ambiente escolar. É um chamado para o desenvolvimento de estratégias de intervenção pedagógica que condizam com a realidade e as necessidades dos alunos.
Cabe destacar que o termo pessoas com NEE é amplo, abrange tanto aquelas que têm dificuldades acentuadas ou limitações proeminentes, bem como as superdotadas, dentre outras. Assim, não se limita às pessoas com deficiência, mas também contempla aquelas que necessitam de maneira temporária ou permanente do Atendimento Educacional Especializado (AEE), ou seja, um conjunto de atividades e de recursos de acessibilidade e pedagógicos que visam a complementar ou a suplementar o processo educacional dos alunos nas classes regulares (BRASIL, 2008).
No processo educacional de pessoas com NEE, as Salas de Recursos Multifuncionais são espaços muito relevantes, pois dotada de infraestrutura como: mobiliário, profissionais e equipamentos propiciam a realização do AEE e favorece o ensino e a aprendizagem dos alunos.
O processo de inclusão é condicionado por uma série de fatores, mas o recorte aqui é na flexibilização curricular, que consiste em adaptar o currículo de modo a valorizar as habilidades, atender as singularidades e respeitar as dificuldades dos alunos, promovendo o acesso ao mesmo. Nessa direção, a inclusão implica em adaptação/reestruturação do ambiente e da cultura escolar para que possam atender ao educando, contemplando suas especificidades, de modo que os mesmos possam desfrutar da sua vida educativa. (GLAT e BLANCO, 2007).
A Tecnologia Assistiva (TA), é uma grande aliada na flexibilização curricular, pois é uma área de conhecimento interdisciplinar que ultrapassa a ideia de artefato,
ferramentas, produtos e engloba metodologias e estratégias de ensino voltadas para a promoção da funcionalidade de pessoas com deficiência, mobilidade ou capacidade reduzida, visando sua independência, autonomia, qualidade de vida e inclusão social (CAT, 2007c apud GALVÃO FILHO, 2009). Por isso, propicia uma mediação pedagógica voltada para a acessibilidade e inclusão, apesar de ser pouco pesquisada, divulgada e empregada como instrumento de ensino, até mesmo nos ambientes acadêmicos.
No universo da TA, assume destaque a Cartografia Tátil, ou seja, um ramo específico da cartografia que se ocupa da confecção de mapas e outros recursos cartográficos táteis, com objetivos educativos e/ou facilitadores da orientação e mobilidade para pessoas cegas ou com baixa visão (RIBEIRO, 2012). Além disso, pesquisas já apontam para a importância de tais recursos na escolarização de pessoas com síndrome down, transtorno do espectro autista, entre outros. Loch, (2008), sinaliza que a Cartografia Tátil também objetiva estudar metodologias de elaboração e aplicação de documentos cartográficos. Nesse sentido, o estudo e a difusão dos recursos cartográficos táteis são muito relevantes, porque no campo da Geografia trabalhar a cartografia é um desafio para professores e alunos, sobretudo para estudantes com Deficiência Visual (DV), que pela falta do sentido visual e de recursos táteis tem o seu direito de aprendê-la subtraído.
É comum pessoas com DV se depararem com obstáculos que impedem ou dificultam a sua acessibilidade a lugares e informações, impossibilitando o exercício de sua cidadania. As barreiras se manifestam de variadas formas, sejam arquitetônicas, atitudinais até as informacionais e educacionais, (RIBEIRO, 2011). Contudo é necessário o enfrentamento das barreiras para que as pessoas com deficiência visual sejam alfabetizadas, cartograficamente, pois no mundo globalizado todos devem conhecer e compreender o espaço que os circundam, e a cartografia pode favorecer bastante.
A centralidade, no presente trabalho, foi estudar o Lugar (Feira de Santana) através dos recursos Cartográficos Táteis, pois a mesma têm se mostrado uma estratégia eficiente no processo de inclusão do aluno com deficiência visual nas escolas regulares.
Diante de diversas situações conflitantes, como a existência de legislação sobre inclusão, viabilidade de ensino e aprendizagem com recursos cartográficos táteis, bem como o grande contingente de alunos inseridos, mas não incluídos no processo educacional (BOURDIEU e CHAMPAGNE, 2001), é relevante estudar e difundir a cartografia tátil. Assim, é relevante a mediação de conteúdos voltados para o ensino do Lugar, categoria da geografia que, apesar de ser muito importante para entender a realidade local e global, ainda é pouco conhecida e ensinada. Além disso, o trabalho é pertinente por tornar os recursos confeccionados mais eficientes, pois foram testados pelos usuários diretos (aluno com deficiência visual e professores), permitindo aperfeiçoá-los e torná-los operacionais de acordo com as singularidades dos sujeitos. Ademais, proporciona um olhar reflexivo da prática docente, visando transformá-la (PIMENTA e GHEDIN, 2006).


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i22.3962

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