GESTÃO ESCOLAR A SUA IMPORTÂNCIA NO COTIDIANO DA EDUCAÇÃO INFANTIL DO CAMPO

Liliane Rangelia Alves de Queiroz

Resumo


As escolas do campo enfrentam inúmeras dificuldades, que vão desde a precariedade de no que diz respeito à infraestrutura física, quanto ao descaso e a má qualidade no ensino ofertado, como diz Fernandes é preciso “ver o campo como parte do mundo e não como aquilo que sobra além das cidades” (FERNANDES, 2002, p. 62).
Lugar onde as crianças costumam conhecer o trabalho desde muito cedo, a educação infantil no campo não é uma etapa da educação muito valorizada, mesmo que existam leis que garantam tais medidas. Está previsto nas Diretrizes Curriculares Nacionais Para a Educação Infantil, que:
Na observância das Diretrizes, a proposta pedagógica das instituições de Educação Infantil deve garantir que elas cumpram plenamente sua função sociopolítica e pedagógica: Oferecendo condições e recursos para que as crianças usufruam seus direitos civis, humanos e sociais; Assumindo a responsabilidade de compartilhar e complementar a educação e cuidado das crianças com as famílias; Possibilitando tanto a convivência entre crianças e entre adultos e crianças quanto à ampliação de saberes e conhecimentos de diferentes naturezas; Promovendo a igualdade de oportunidades educacionais entre as crianças de diferentes classes sociais no que se refere ao acesso a bens culturais e às possibilidades de vivência da infância; Construindo novas formas de sociabilidade e de subjetividade comprometidas com a ludicidade, a democracia, a sustentabilidade do planeta e com o rompimento de relações de dominação etária, socioeconômica, étnico racial, de gênero, regional, linguística e religiosa. (p.17).
Porém sabemos que esses direitos nem sempre são garantidos. A educação rural no Brasil foi algo que sempre esteve em segundo plano. Havia um pensamento que ‘gente da roça não necessita de escola’. Furtado [2003 ou 2004]. Conceitos estes que através de muitas lutas sociais vem sendo rompidos.
Mas para que haja uma educação que propicie melhores condições aos povos do campo, seja na educação infantil ou não é necessário que a gestão da escola pense e propicie no ambiente educacional políticas que sejam apropriadas para os mesmos, pensando e agindo como uma gestão democrática, e levando em conta onde vivem, suas bagagens e vivências, como diz ARROYO é importante que as políticas:
Parta dos diferentes sujeitos do campo, do seu contexto, sua cultura e seus valores, sua maneira de ver e se relacionar com o tempo, a terra, com o meio ambiente, seus modos de organizar a família, o trabalho, seus modos de ser homem, mulher, criança, adolescente, jovem, adulto ou idoso; de seus modos de ser e se formar como humanos. Fazer do povo do campo e de seus processos de formação o ponto de partida para a formulação de políticas públicas educativas significa garantir o caráter popular dessas políticas e sua articulação com o projeto de país e de campo. (ARROYO et al, 2004, p. 14-15).
Partindo do ponto de que a gestão da escola é responsável por analisar, elaborar e lançar propostas que contemplem toda a comunidade escolar é preciso que se pense em uma gestão democrática no sentido mais amplo da palavra. Como diz Vallim, “ser democrático é respeitar os ritmos, as dificuldades, a linguagem e a cultura de cada um, em suas diferenças. As propostas não podem ser impostas. Precisam ser construídas e reconstruídas com as pessoas envolvidas” (Celso Vallim, 2004).
A pesquisa tem como objetivo analisar em que medida o trabalho do gestor escolar contribuí com práticas democráticas no âmbito das escolas do campo. Assim como verificar qual é o tipo de gestão efetiva na escola; Analisar as atribuições do gestor e o modelo de gestão vivido na escola de educação do campo; Descrever e analisar os processos meios e estratégias de articulação do gestor na escola do campo para promoção de práticas efetivamente democráticas.


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