Flora da Bahia: Violaceae e estudos taxonômicos no gênero Paypayrola Aubl.

Filipe Gomes dos Anjos Oliveira

Resumo


Violaceae possui distribuição cosmopolita e inclui 23 gêneros e cerca de 800 espécies. No Brasil ocorrem 14 gêneros e cerca de 80 espécies, a maioria em Pombalia Vand. e Rinorea Aubl. (Souza e Lorenzi 2012; Paula-Souza, 2009).
As Violaceae são ervas, árvores ou, menos frequentemente, lianas com folhas alternas espiraladas ou dísticas ou, menos frequentemente, opostas, simples, com estípulas conspícuas, persistentes ou caducas, raramente com pontuações translúcidas (Leonia Ruiz & Pav.), inflorescência em pseudoracemo, racemo, cimeira simples ou composta, fascículo ou flores solitárias, flores geralmente bissexuadas, actinomorfas a fortemente zigomorfas, diclamídeas, cálice pentâmero, dialissépalo, persistente na frutificação, imbricado, labelo (pétala abaxial) giboso a longamente calcarado nas flores zigomorfas, estames (3-)5, filetes livres ou unidos entre si, anteras rimosas, geralmente com conectivo provido de um apêndice membranáceo e apical (em algumas espécies os dois estames anteriores, são provido de apêndices nectaríferos sobre os filetes), ovário súpero, (2-)3(-5)-carpelar, unilocular, placentação parietal, uni a pluriovulado, fruto cápsula, às vezes membranácea e inflada (Anchietea e Hybanthopsis), raramente baga (Gloeospermum Triana & Planch. e Leonia) ou noz (Leonia) (Souza & Lorenzi 2012).
A família tradicionalmente é dividida em três subfamílias (Hekking 1988): Leonioideae, com flores actinomorfas, prefloração irregularmente imbricada, representada apenas pelo gênero sul-americano Leonia; Violoideae, com flores actinomorfas ou zigomorfas, prefloração coclear distal ou quincuncial e Fusispermoideae, com flores actinomorfas, prefloração convoluta, representada pelo gênero Fusispermum Cuatrec. Paula-Souza (2009) realizou estudos filogenéticos na tribo Violeae e observou que Violoideae não é monofilética. Nesse mesmo trabalho também foi constatado o não monofiletismo de Hybanthus o que levou ao restabelecimento de Pombalia (Paula-Souza 2014), transferindo assim para este último gênero várias espécies listadas para a Bahia. No entanto, algumas espécies foram mantidas em Hybanthus mesmo apresentando características que sustentariam sua transferência para Pombalia. Essa mesma autora aponta a necessidade de uma melhor diferenciação entre Pombalia e Hybanthus (Paula-Souza 2009).
Apesar dos avanços no conhecimento da família, não existe um estudo taxonômico para o gênero Paypayrola, o que resulta em muitas confusões quanto a delimitação das espécies, sendo este o principal objetivo do presente trabalho.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i22.4052

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