A RIQUEZA FORMAL NA POESIA DE ANTONIO BRASILEIRO

Fabrício Lima Oliveira

Resumo


O poeta Antonio Brasileiro é, reconhecidamente, um dos mais consistentes poetas
brasileiros, na contemporaneidade. A consistência de sua obra evidencia-se, entre outras
coisas, pelo rigor formal e pela utilização e domínio de uma gama muito variada de
recursos técnicos, ajustados de forma singular à composição de cada um de seus
poemas. Trata-se, portanto, de um poeta fundamental, situado como nome de referência
para uma geração importante de poetas, surgida em Feira de Santana, a partir de 1972,
com a criação, pelo próprio Antonio Brasileiro, da Revista Hera (1972 – 2005) que
publicou 20 números e que hoje se situa como um marco histórico da poesia brasileira,
na atualidade. Este trabalho de pesquisa se justifica como mais uma contribuição no
sentido de realçar a importância da riqueza formal de um poeta que, ao longo das
últimas quatro décadas, tem inspirado gerações de poetas, na Bahia e, especialmente,
em Feira de Santana.
Antonio Brasileiro (Antonio Brasileiro Borges), poeta, ensaísta, artista plástico e
professor, nasceu em 15 de Junho de 1944 em Matas do Orobó, Bahia. Reside
atualmente em Feira de Santana. Eleito em 08/06/2009 para a Academia de Letras da
Bahia, é o primeiro escritor residente no interior do estado a assumir uma Cadeira na
referida Academia, ocupando a cadeira de Zélia Gattai. Antonio Brasileiro é um dos
mais consistentes poetas brasileiros, na contemporaneidade. Sua poesia é instigante e
evidencia-se, entre outras coisas, pelo rigor formal e pela utilização e domínio de uma
gama muito variada de recursos técnicos.
Na década de 1960 – entre os quinze e vinte e cinco anos – o poeta, já residente
em Salvador, vive uma vida intensa: entra para a Universidade (Ciências Sociais,
UFBA), passa a estudar no Seminário de Música, além disso, começa a pintar, publica
seus primeiros livros, cria as Edições Cordel (Revistas Serial e Cordel). Reside por
algum tempo no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte (1966/67) e têm poemas
publicados na Revista Civilização Brasileira. No início de 1971, passa a morar em Feira
de Santana, onde cria a revista Hera (1972 – 2005) em parceria com os alunos seus do
Colégio Estadual de Feira de Santana, a exemplo de Roberval Pereyr, Washington
Queiroz e Wilson Pereira de Jesus. Hera, que em seus três primeiros números era uma
revista de contos, a partir do número 4 passou a publicar apenas poesia (e, como tal,
contando, a partir daí, com a participação de nomes como, entre outros, Juraci Dórea,
Iderval Miranda, Luís Valverde , Luis Pimentel, Edmundo Carôso (Edmundo) e Carlos
Pitta (Piter), Trazíbulo Henqique Pardo Casas, Rubens Alves Pereira, Assis Freitas
Filho, Juraciara Lima, além dos três cofundadores acima citados), engendrou, sob a
coordenação inicial de Antonio Brasileiro, uma marcante movimentação literáriocultural
na Bahia, com significativa repercussão nacional. Alguns anos depois (1980),
sai pela Editora Civilização Brasileira o primeiro livro de poesia de Antonio Brasileiro
em edição nacional, intitulado Os três movimentos da sonata. Em 1992, Brasileiro
conclui seu Mestrado em Letras pela UFBA, e liga-se, como professor, à Universidade
Estadual de Feira de Santana-UEFS (1993). Anos depois, conclui Doutorado em
Literatura Comparada (UFMG, 1999). Antonio Brasileiro, como pintor, está entre os da
chamada Geração 70 de artistas plásticos da Bahia. Com quase 30 livros publicados,
destacam-se entre eles: Caronte (1995, romance), Antologia poética (1996), A estética
da sinceridade (2000, ensaios), Da inutilidade da poesia (2002, ensaio), Poemas
reunidos (2005), Dedal de areia (2006, poesia), Desta varanda( ), Longes terras ( ) e
Lisboa 1935 ( ).
O poeta Antonio Brasileiro apresenta na sua obra uma apurada reflexão líricofilosófica.
Sua multifacetada poesia retrata, de muitas maneiras e em muitas dimensões,
a instabilidade e a fragilidade da condição humana. Para dar conta de tudo isso, o poeta
evidencia o domínio de muitas áreas de conhecimento e a capacidade de encontrar
soluções formais para as mais diversas situações existenciais encenadas em seus
poemas. Neste sentido, não hesita em lançar mão, por exemplo, do mais puro lirismo,
ou, ao contrário, do exagero cômico, do grotesco, da ironia, da sátira e do
desconcertante humor que lhe é característico, muitas vezes obtido pela rara capacidade
de utilização do paradoxo, que põe em cheque a mera racionalidade, gerando choque e
surpresa. Tudo isso sem perder jamais de vista a dimensão estética da linguagem,
evidenciada através da utilização (e da combinação) sempre oportuna e surpreendente
do ritmo, da imagem e da musicalidade.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i22.4094

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