Interfaces entre o Desenho e a Produção do Conhecimento: desvelando caminhos

Gênica Sena de Oliveira

Resumo


Perceber a relevância de estudar o Desenho e suas práticas, enquanto área do
conhecimento passível de diálogos com outras áreas do saber científico é de
fundamental importância para a compreensão dos aspectos de constituição da
humanidade. Desse modo, essa pesquisa objetiva estudar a relação Desenho-Ciência,
investigando o papel do desenho enquanto meio, isto é, um suporte à comunicação
visual aliado a outros campos de saber, como na engenharia, geologia, biologia,
antropologia, dentre outras. Percebendo de que forma o desenho e a pintura podem atuar
como instrumento de investigação para explorar e registrar a natureza inserindo esta
união ao campo das ciências, projetando e registrando imagens variadas da terra e do
homem, visando o aprofundamento de suas contribuições para o desenvolvimento
científico, resultando em si numa forma específica de conhecimento, tendo como base,
nesse caso, as transformações sociais registradas nas viagens científicas ocorridas no
Brasil no século XIX, especificamente na Missão Austríaca e a expedição organizada
pelo médico alemão Georg Heinrich von Langsdorff.
Deste modo, a investigação no estudo das contribuições das viagens científicas
para o desenvolvimento do desenho enquanto ciência, foi feita a pesquisa bibliográfica
tendo como base inicialmente a Missão Austríaca de 1817. Organizada devido ao
casamento de dona Leopoldina, que aos 20 anos atravessou o Atlântico para se casar
com o imperador D. Pedro I (1798-1834), composta por notáveis cientistas com a
missão de coletar material botânico, zoológico e mineralógico e fazer ilustrações de
pessoas e paisagens, entre eles estavam: Carl Friedrich Phillip Von Martius, médico e
botânico, e Johann Baptist von Spix, zoólogo; Johann Christof Mikan, botânico e
entomólogo; Johann Emanuel Pohl, médico, mineralogista e botânico; Johann
Buchberger, pintor de flora; Johann Natterer, zoólogo; Thomas Ender, pintor; Heinrich
Schott, jardineiro; e o naturalista italiano Guiseppe Raddi.
Dando continuidade ao aprofundamento de contribuições das viagens científicas.
Outra expedição importante é a organizada pelo barão e médico Georg Heinrich Von
Langsdorff (1774-1852), que aconteceu entre 1824 e 1829. Composta por trinta e nove
pessoas, como objetivo além de estudar a flora e a fauna do país, dedicaram-se a
pesquisar etnografia e idiomas das tribos brasileiras. Foram percorridos 17 mil
quilômetros do território nacional. A expedição foi constituída por um grupo com
respeitados artistas como os pintores Johann Moritz Rugendas, Hércules Florence e
Aimé-Adrien Taunay, o astrônomo Nestor Rubtsoz, o botânico Ludwig Riedel, e o
naturalista Wilhelm Freyreiss.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i22.4097

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