CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA EM SUJEITOS DE BAIXA RENDA, PROCEDENTES DE SALVADOR, NA FAIXA ETÁRIA DE DEZ ANOS

Jesnner Bispo Souza

Resumo


A consciência fonológica (doravante CF) é a capacidade de refletir e manipular conscientemente os sons da fala, compreendendo as unidades fonológicas da língua como as sílabas, as unidades intrassilábicas e os fonemas (MOOJEN et alii, 2003). Segmentar, sintetizar, unir, excluir e transpor sílabas e fonemas em palavras são algumas das habilidades que exemplificam a CF.
O desenvolvimento da CF é considerado importante para a aquisição da leitura e da escrita. No que diz respeito à relação entre a consciência fonológica e o desenvolvimento da lectoescrita, a literatura aponta três tipos: de causa, efeito e reciprocidade. Aos que defendem a relação de causa (BRANT e BRADLEY, 1987) a CF é considerada um pré-requisito para a aquisição da leitura e da escrita, ou seja, quanto mais desenvolvida for a consciência fonológica, melhor será a compreensão da relação fonema-grafema. Segundo os adeptos da relação de efeito (GOSWAMI e BRYANT, 1990), a CF acontece como consequência posterior ao desenvolvimento da lectoescrita. Os adeptos da relação de reciprocidade (MORAIS, MOUSTY e KOLINSKY, 1998) defendem que o desenvolvimento da CF facilitando a aquisição da leitura e escrita e essa aquisição aprimora a CF.
Múltiplas variáveis influenciam no desenvolvimento da consciência fonológica, entre elas, está a variável socioeconômica. (ADAMS et alii, 2006). Sendo assim, de acordo com a sua classe social, o sujeito pode obter um desenvolvimento mais ou menos satisfatório da CF. Nesta pesquisa, foram traçados os perfis linguísticos de oito crianças de baixa renda, moradoras da cidade de Salvador – BA, na faixa etária de dez anos.
Os dados utilizados foram secundários, pois já haviam sido coletados durante a pesquisa “Funções Executivas e Desenvolvimento Cognitivo em Crianças de Baixa Renda em Salvador, Bahia, Brasil” (CEP-Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia. Parecer 516.118). O instrumento utilizado foi o CONFIAS – Consciência Fonológica: Instrumento de Avaliação Sequencial (MOOJEN et alii, 2003), que se divide em duas partes, com atividades no nível da sílaba (S) e do nível do fonema (F).
Este estudo teve como objetivo geral descrever e analisar o perfil linguístico de crianças de dez anos em tarefas de CF, e como objetivos específicos identificar possíveis estratégias linguísticas utilizadas pelas crianças, e comparar as escalas de dificuldades identificadas com aquelas propostas pelo CONFIAS. Entende-se por estratégias lingüísticas as diferentes maneiras por meio das quais os sujeitos tentam acertar as tarefas propostas. Vale salientar, ainda, que esta pesquisa auxilia profissionais de Letras, Saúde e Educação a reconhecerem que a variável classe social pode ter um impacto no desenvolvimento da CF e, consequentemente, na aprendizagem da lectoescrita.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i22.4100

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