PRÁTICAS REFLEXIVAS SOBRE CRENÇAS NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DE LÍNGUAS E CULTURAS: ANALISANDO CRENÇAS CULTURAIS NO CURSO DE LETRAS DA UEFS

José Railson da Silva Costa

Resumo


O contexto de aprendizagem de uma língua estrangeira envolve elementos linguísticos, culturais e sociais que permitem aos estudantes ampliar a consciência sobre o espaço e a cultura do outro de forma mais consciente, além de ser um espaço que o estudante de língua estrangeira já chega com crenças sobre o que seja ensinar e aprender uma língua estrangeira, de forma já preestabelecida. Algumas crenças no entanto, podem ser resignificadas e influenciar positivamente ou não o aprimoramento linguístico e cultural dos estudantes, a depender da postura crítica do professor de línguas.
Diante da complexidade do ensino de língua estrangeira, muitos pesquisadores têm conceituado crenças e a importância da sua pesquisa para a linguística aplicada e para as metodologias de ensino de língua. Um dos precursores da investigação sobre crenças e de sua relação com o conhecimento foi o filósofo americano John Dewey (1933). Sua postulação de crenças como fruto da experiência humana serviu de base teórica para as pesquisas subsequentes. Na década de 80 com os avanços da linguística aplicada, uma grande gama de pesquisas sobre crenças no ensino de línguas foram desenvolvidas dando origem a diversas conceituações.
As crenças dos estudantes e professores podem ser opiniões (Wenden, 1986) ou representações (Holec, 1987) sobre como se estuda ou se usa uma língua estrangeira (Almeida Filho, 1993). A pesquisadora pioneira nesse tipo de pesquisa foi Elaine Horwitz (1988) que conceituou as crenças como ideias equivocadas que, se forem positivas, podem estimular a aprendizagem de línguas. Horwitz (1988) elaborou um dos instrumentos mais utilizados para investigar quantitativamente as crenças de estudantes e professores de línguas. O inventário BALLI (Beliefs About Language Learning Invetory) é um questionário com 34 perguntas sobre as crenças de professores e alunos sobre línguas estrangeiras organizadas numa escala likert.
O objetivo geral deste segmento da pesquisa longitudinal coordenada pelo Grupo ELCE (Educação Línguas e Culturas Estrangeiras)1 é mapear as crenças culturais de professores e alunos dos cursos de letras da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). O intuito é buscar melhorias no curso de graduação e possibilitar reflexões dos professores e estudantes sobre o papel das crenças culturais na sua formação para a alteridade e inclusão social considerando que as crenças não se restringem apenas a contextos educacionais podendo existir dentro e fora da sala de aula (Pajares, 1992; Barcelos, 2004). Ao revisar pesquisas sobre crenças culturais, Rozenfeld (2007) afirma que a experiência, a vivência cultural e a bagagem emocional também interferem no processo de ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras, e, por isso, enfatiza a importância de realizar pesquisas sobre crenças em um viés que não seja puramente linguístico.
A metodologia da pesquisa consistiu em um levantamento das crenças culturais de professores e alunos dos cursos de letras da UEFS nos semestre 2017.2 e 2018.1.


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