Formas de tratamento no português angolano: análise sobre o uso do “tu” e do “você” em entrevistas gravadas

Maike da Silva Pereira

Resumo


Com os avanços dos estudos linguísticos no país, questões que averiguam o uso real da língua contrapondo-o com o teor prescritivo presente em gramáticas tem sido constantemente debatidas. Visando compreender e analisar as variações na língua falada, os estudos linguísticos têm diminuindo o abismo entre a língua real e o padrão ideal de língua, que consiste na língua dita “culta” presente em gramáticas normativas. (BAGNO, 2001). A forma pronominal de 2ª pessoa tem sido amplamente discutida, retomando a ideia do abismo que há entre o falante e o ensino prescritivo da língua apresentado anteriormente, constatamos em gramáticas tradicionais como único uso aceitável para 2ª pessoa os pronomes tu e vós – singular e plural, respectivamente. Sendo indispensável para além do uso, a concordância verbal e nominal padrão do pronome com o verbo e substantivo. Tal configuração soa arcaica, pois podemos observar no nosso cotidiano o quão comum é para o falante a substituição do pronome tu pelo você, o que perante a definição das gramáticas normativas é considerado erroneamente como incorreto. Ressalta-se que, ao utilizar o você, o falante realiza a concordância verbal com a terceira pessoa, coloquialmente frases deste tipo são comumente observadas; é a partir destes questionamentos que esta pesquisa investigou a variação no uso das formas pronominais (você, tu) no português angolano (PA), comparando com pesquisas realizadas por outros pesquisadores que investigam o mesmo fenômeno no português brasileiro.

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