O uso do "tu" e "você" no semiárido baiano: um estudo em tempo aparente e em tempo real de curta duração

Mércia Mota da Silva

Resumo


Sociolinguística é o ramo da linguística responsável por estudar a relação entre a língua
e a sociedade e o modo como empregamos a linguagem em diferentes circunstâncias
sociais. A sociolinguística exprime a fala humana, mostrando como um modo de falar
pode especificar a idade, o sexo, a classe social e o intelecto do falante. Entende-se por
variação linguística “diversas maneiras de se dizer a mesma coisa em um mesmo
contexto, e com o mesmo valor de verdade”. (Tarallo, 1990).
O Português Brasileiro dispõe de diversos pronomes de tratamento e pronomes pessoais
a fim de identificarmos as pessoas do discurso. Os pronomes com os quais
trabalharemos são tu e você, que apresentam variação na segunda pessoa do singular de
com cada região do país. Esse feito é possível pois, apesar de falarmos a mesma língua,
esta não é, como diz Labov, uma estrutura autônoma, separada de fatores externos, mas
sim, como afirmam os sociolinguistas, é um construto heterogêneo, isto é, a língua
permite uma variabilidade, o fato de que se pode haver mais de uma forma para
expressar o mesmo significado. O acréscimo da forma você como pronome pessoal, ao
invés do original pronome de tratamento do português brasileiro resultou na alteração
do quadro de pronomes, já que há simultaneidade nas duas formas pronominais de
tratamento tu/você como formas de referência à segunda pessoa do singular. Assim
sendo, a presente pesquisa objetiva, precipuamente, observar a variação de tais
pronomes no português popular escrito e falado do semiárido baiano. Destarte, para
compor a pesquisa, foi escolhido um corpus, o qual, se aproximasse o mais fiel possível
do falar espontâneo dos falantes. O corpus é constituído por: 1) 91 cartas pessoais
editadas e publicadas por (CARNEIRO; SANTIAGO; OLIVEIRA, 2011), escritas entre
os anos de 1809 - 2000, por pessoas de baixa escolaridade. 2) 12 entrevistas
sociolinguísticas, com pessoas com nenhuma ou baixa escolaridade, na comunidade de
Piabas, município de Caem, Piemonte da Chapada Diamantina, Bahia.


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