A Representação Discursiva do Núcleo Familiar na Revistas Jornal das Moças da 50

Naiane Santos Couto

Resumo


O objetivo geral desta pesquisa é identificar e analisar a construção discursiva da imagem da mulher nas famílias brasileiras na década de 50, a partir Jornal das Moças, tendo como foco as reflexões teóricas da Análise de discurso pecheutiana. Historicamente, podemos observar que a mulher sempre esteve ocupando posições diferentes daquelas ocupadas pelos homens em diversas esferas, inclusive na esfera da constituição da família. Uma posição feminina diferente da idealizada pela sociedade patriarcal gerava conflitos, uma vez que considerava-se que o lugar natural da mulher era o lar e totalmente submissa ao marido. Isto ocorre, de maneira geral, desde séculos anteriores, quando as mulheres tinham apenas a função doméstica e reprodutiva eram construídas socialmente para serem donas do lar,esposas e mães, o que incluía saber lavar, passar, cozinhar e cuidar dos afazeres domésticos.. Esses deveriam ser atributos das mulheres uma vez que o espaço doméstico seria o seu “lugar” naturalizado de ocupação. A luta das mulheres por seus direitos tem raízes profundas no passado, sua historia foi escrita cotidianamente ao logo dos séculos.
Sobre os discursos sobre as mulheres nas revistas pode-se encontrar ecos do interdiscurso que retomam a ideia dos já ditos sobre a mulher em sua atuação na sociedade ao longo do tempo, colocando-a nos espaços domésticos e na esfera da maternidade e do casamento. Dessa forma é possível constatar os estereótipos em relação à mulher que a colocam sempre na esfera dos trabalhos domésticos filiando-a também à questão da maternidade, interditando muitas vezes o direito de ocupar determinados espaços na sociedade e no mercado de trabalho.
Assim, é possível observar a tensão entre a liderança e o papel atribuído socialmente à mulher como dona de casa e mãe, e, ao mesmo tempo, a diferenciação entre homens e mulheres, colocando-os em lugares diferentes na sociedade. Dessa forma, observando que nenhum discurso surge aleatoriamente de modo completamente isolado, mas sempre surge a partir de um já dito, de uma rede de pré–construídos procura-se, então, observar a forma como os já-ditos sobre a mulher (que podem ser identificados discursivamente desde a escritura da Bíblia) ecoam nos discursos veiculado por tal revista, trazendo em si gestos do interdiscurso, do já dito sobre a mulher em sua relação com o núcleo familiar.


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