TRAJETÓRIAS DE VIDA, CONDIÇÕES DE TRABALHO E DE SAÚDE-DOENÇA DE FEIRANTES HOMENS

Weslly Bernardes de Oliveira

Resumo


O ato de trabalhar é um dos fatores que tem maior relação com as condições de vida, de saúde e qualidade de vida do homem, particularmente, quando se trata do trabalho informal, como é o caso da atividade do feirante, na qual o trabalhador está exposto, segundo Almeida e Pena (2011) a “[...] variações climáticas, longa jornada de trabalho, ausência de dispositivos e mecanismos básicos de proteção, entre outros fatores de risco para a saúde”, devido às próprias características da atividade laboral que desempenha.
Estudo realizado com feirantes de Feira de Santana – BA por Carvalho e outros (2017) sobre as características sociodemográficas e os fatores de risco à saúde destes trabalhadores, evidenciou que estes labutam diariamente sob condições de trabalho insalubres e exaustivas que os tornam vulneráveis ao aparecimento de doenças e complicações. São destacadas a precariedade do ambiente, cargas horárias extensas e ausência de horários definidos para alimentação, descanso e lazer, que repercutem de forma negativa na saúde dos feirantes. O fato dos homens serem os responsáveis pelo sustendo de suas famílias, reflete na forma como cuidam de sua saúde, tendo em vista que a extensa carga horária de trabalho dificulta a ida aos serviços de atenção à saúde Cavalcanti et al (2014).
É inegável a preocupação masculina com a atividade laboral, a qual tem um lugar destacado, sobretudo entre indivíduos de baixa condição social, o que reforça o papel historicamente atribuído ao homem de ser responsável pelo sustento da família (BRASIL, 2008). A forma como o homem compreende seu processo-saúde-doença, muitas vezes, condiz com uma imagem forte e viril historicamente construída, ao passo que a identidade social dos homens elaborada nas relações sociais constrói não só, modos de conceber o corpo, a saúde e a doença, mas, igualmente, produzem serviços de saúde baseados em modelos ideais de masculino e feminino Machin et al (2011).
Assim, este estudo se justifica tendo em vista que a análise das trajetórias de vida se mostra importante por valorizar a escuta dos atores sociais envolvidos, e por permitir apreender como se dá a inserção dos feirantes homens no mercado informal, estabelecendo relações entre as condições de trabalho nas feiras livres e os modos como estes trabalhadores percebem seu processo-saúde-doença.
Objetivou-se analisar as inter-relações das trajetórias de vida com as condições de trabalho e de saúde-doença de feirantes homens que atuam na feira livre do Tomba em Feira de Santana – BA, bem como, conhecer a trajetória de vida dos feirantes e os modos de inserção na atividade laboral e descrever a percepção de feirantes homens sobre as suas condições de trabalho e saúde-doença.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i22.4163

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