EFEITOS DO FOGO SOBRE POPULAÇÕES DE COMANTHERA MUCUGENSIS, A SEMPRE-VIVA DE MUCUGÊ

Mauricio de Souza Silva

Resumo


O fogo é um fenômeno importante em diversos tipos de vegetação do mundo, com efeitos diretos e indiretos sobre a biodiversidade, influenciando os ecossistemas, a distribuição de biomas, manutenção da estrutura e o funcionamento de comunidades propensas ao fogo, especialmente as formações savânicas e campestres (Bond, 2005). O regime do fogo afeta processos demográficos como mortalidade, reprodução, germinação e sobrevivência de populações de plantas (Whelan, 1997). Os incêndios podem ser iniciados naturalmente, sendo causados principalmente por raios e impactos de matacões de quartzito rolando montanha abaixo (Coutinho et al. 2002), ou ainda pela ação humana, que é uma prática muito comum nos trópicos (Valencia & Hernández, 2002; Soares et al., 2006). Os campos rupestres estão sob forte influência do fogo e possuem grande heterogeneidade ambiental com elevado grau de endemismos (Conceição et al., 2015; Silveira et al., 2015), sendo constituídos por fitofisionomias arbustivas contínuas em solos arenosos e pedregosos ou distribuídas em ilhas de vegetação nos afloramentos rochosos, assim como fitofisionomias campestres sobre solos arenosos dominados por espécies graminóides, que caracterizam o habitat de Comanthera mucugensis (Giul.) L.R. Parra & Giul., uma espécie endêmica de Eriocaulaceae conhecida como sempre-viva de Mucugê, cujos escapos floridos foram intensamente coletados para utilização comercial (Conceição et al., 2017). O objetivo do presente estudo foi avaliar o efeito do fogo na estrutura populacional e no diâmetro da roseta de C. mucugensis, visando gerar informações para subsidiar a conservação dessa espécie de sempre-viva no Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD).

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