RESISTÊNCIA DE GRÃOS DE FEIJÃO (Phaseolus vulgaris L.) AO FLUXO DE AR E DETERMINAÇÃO DE PROPRIEDADES FÍSICAS EM RELAÇÃO AO TEOR DE UMIDADE

Indira Tainá de Oliveira Santos

Resumo


O Brasil configura-se como o maior produtor mundial de feijão-comum do tipo carioca pertencente à espécie (Phaseolus vulgaris L.) (FAO, 2013; SANTOS, 2014). Ainda que a baixa fertilidade dos solos, doenças e estiagem que desencadeiam em forte escassez sejam fatores que limitam efetivamente o potencial produtivo da cultura, são os principais problemas enfrentados nas regiões subtropicais e tropicais. A temperatura e as chuvas são elementos climáticos que mais influenciam na produção de feijão, prejudicando o florescimento e a frutificação do feijoeiro (MAPA, 2010). Podemos destacar dentro destes aspectos, o município de Irecê no semiárido baiano, no qual a região econômica se caracteriza como predominantemente agrícola, tendo prevalecido por muitas décadas a monocultura do feijão, do tipo carioca (Phaseolus vulgaris L.). Porém, no início da década de 1990 inicia-se uma grande crise na região, principalmente no setor da produção de feijão. A EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) afirma que o solo da região além de pouco profundo, possui, atualmente, baixa retenção de umidade, uma pobre atividade microbiana e um reduzido desenvolvimento das raízes das plantas, afetando assim a produtividade (Embrapa, 1993), porém se destacando ainda como produtor de feijão do tipo carioca, na região do semiárido baiano.
Considerando a necessidade de melhorias tecnológicas no processamento da pós-colheita, objetivando produtos de maior qualidade, o conhecimento das propriedades físicas, térmicas e fluidodinâmicas de produtos agrícolas é de total importância na otimização dos processos industriais, projeto e dimensionamento de equipamentos utilizados nas operações de colheita e pós-colheita e para uma correta conservação de produtos agrícolas, contribuindo também para minimizar os custos de produção para maior competitividade e melhoria da
qualidade final do produto processado. (RESENDE et al., 2008; SANTOS, 2014). Para que haja um armazenamento eficiente de grãos agrícolas a granel, é necessário o controle de aeração após a operação de secagem. Com vistas à longevidade do armazenamento e manutenção da qualidade dos grãos, a aeração pós-secagem reduz a atividade biológica da biota nativa e evita a deterioração do produto estocado. Durante essa operação, um fluxo de ar forçado permeia a massa de grãos e escoa em canais intergranulares, o que causa resistência ao fluxo concomitantemente à perda de carga, também conhecida como perda de pressão ou pressão estática a ser vencida. Tal resistência ao fluxo de ar em leitos fluidizados depende de diversos fatores, tais como: velocidade superficial, profundidade do leito de grãos, presença de impurezas no produto, tamanho, forma, umidade, porosidade e rugosidade do produto. O preenchimento da coluna de grãos pode seguir uma metodologia interferente na sua compactação, direção do fluxo de ar e resistência do produto à passagem de um fluxo de ar. Nos cálculos da resistência causada pela massa de grãos ao fluxo de ar, os principais parâmetros envolvidos são a porosidade e as massas específicas, real e aparente, diretamente influenciadas pela presença de impurezas no produto e seu teor de umidade.
Tendo em vista os aspectos mencionados, este trabalho teve por objetivo geral a determinação das propriedades relacionadas com a transferência de calor em massa de grãos de feijão (Phaseolus vulgaris L.) em função do teor de água das amostras e com a resistência dos grãos ao fluxo de ar com velocidade superficial controlada. Especificamente, objetivou-se determinar as massas específicas, real e aparente, o teor de umidade, a porosidade do leito de grãos, a condutividade térmica, a difusividade e o calor específico da massa de grãos em variadas percentagens de conteúdo de água, ressaltando que foi possível obter resultados apenas das massas reais dos grãos e teor de umidade das amostras.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i22.4230

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