IMPLICAÇÕES DO CONCEITO DE HISTERIA RÍGIDA PARA A TEORIA DA CLÍNICA PSICANALÍTICA CONTEMPORÂNEA

Daniela Lima de Almeida

Resumo


Situada no âmbito da teoria da clínica psicanalítica de orientação lacaniana, esta pesquisa pretendeu abordar o tema da histeria a partir do que Jacques Lacan (1976/2007) conceituou como histeria rígida. Este tema foi abordado em 2013 no VI Encontro Americano de Psicanálise da Orientação Lacaniana (ENAPOL), de onde destacamos como propulsoras desta pesquisa formas peculiares de falar com o corpo, em arranjos que prescindem da parceria com a interpretação e o sentido, não tendo como pivô o endereçamento, como alguns casos de depressão, doenças psicossomáticas e adicções. Nesse sentido, um desafio atual se impõe em torno de como falam os corpos para além dos sintomas histéricos clássicos. Rubinetti (2013) captura como horizonte clínico atentar para “um corpo que fala mas sem nenhum sentido a decifrar, sem nenhum chamado à interpretação” (p. 97). Nesse contexto, articulamos nosso problema de pesquisa: se a histeria se apresenta na contemporaneidade sob uma nova forma, quais suas implicações para a teoria da clínica psicanalítica?
Desde o surgimento da psicanálise, a teoria da clínica é construída a partir do que os casos apresentam, o que exige dos psicanalistas uma dedicação renovada à escuta das singularidades e das formas que cada um encontra para lidar com a angústia em uma época. No âmbito da formação em Psicologia, esta pesquisa pode ser um suporte para uma atuação profissional em que coadune teoria e prática, com ênfase na formação permanente, abrindo vias que indicam um saber que não se completa e um espaço em que as subjetividades ultrapassam as ferramentas teóricas que utilizamos como orientação para intervir, apontando sempre uma parcela do real que escapa à nossa apreensão. Dessa forma, a dedicação a este tema retornará com efeitos importantes no encontro com cada sujeito que chegará ao nosso campo de trabalho, apresentando-nos os limites do discurso científico, que tem como propósito eclipsar aquilo que é irredutível à norma.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i22.4256

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