BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO JACUÍPE: INFLUÊNCIA DE CIDADES DO MÉDIO CURSO NO PROCESSO DE DEGRADAÇÃO AMBIENTAL

Oriana Araujo

Resumo


O objetivo desse texto é examinar a influência das cidades situadas no médio curso da bacia do rio Jacuípe no processo de desmatamento a partir da retirada da cobertura vegetal, com consequente exposição dos solos aos processos erosivos. Para isso, utilizou-se imagens de satélite, técnicas de processamento digital de dados e de modelagem espacial, a fim de verificar o percentual total da cobertura vegetal até 5km das sedes urbanas, bem como da distribuição da cobertura vegetal em círculos projetados a cada km em um mapa de distâncias (buffers). Realizou-se uma pesquisa acerca do processo de ocupação dos municípios, coletando-se dados de população absoluta desde a década de 1970, bem como do avanço das principais atividades agropecuárias: o sisal e o gado bovino, para entender como tal processo articula-se aos processos de desmatamento presentes na área estudada. Constatou-se que há variados percentuais de desmatamento, desde 3% a 24% de cobertura vegetal dentre as cidades pesquisadas e seu entorno. Na média, há 11% de cobertura vegetal nas cidades do médio Jacuípe pesquisadas, o que denota um alto grau de retirada da vegetação. O tamanho das cidades ou sua existência há mais ou menos tempo não são condicionantes do desmatamento ou da manutenção da vegetação, conforme evidenciaram os dados. Outrossim, os municípios com tendência ao avanço da pecuária bovina apresentaram maiores variações na cobertura vegetal, com saldos mais negativos, especialmente Pé de Serra, Gavião, Nova Fátima e Riachão do Jacuípe, enquanto Capela do Alto Alegre e São José do Jacuípe vêm recuperando sua cobertura vegetal devido ao crescimento da algaroba (prosopis juliflora), que pode concorrer com a caatinga, promovendo-lhe fortes danos. Já nos municípios de Valente, Retirolândia e São Domingos, com tendência ao avanço dos sisalais, a cobertura vegetal manteve-se um pouco acima da média, indicando que essa atividade (nesse caso) é menos degradadora que as pastagens.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/sitientibus.v0i54.4629

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ISSN Versão Impressa 0101-8841