A realização do objeto indireto anafórico de terceira pessoa na variedade do português europeu falado no Funchal (Ilha da Madeira)

Aline Maria Bazenga

Resumo


A investigação que tem vindo a ser realizada desde 2010 sobre a variação sintática nas variedades do português falado na Ilha da Madeira (Portugal) confirma a sua especificidade no conjunto de variedades geográficas do Português Europeu (PE) e a sua integração, com base em critérios lexicais e fonéticos, num dos três grupos principais e autónomos dos dialetos portugueses, o grupo dos dialetos insulares. Dando continuidade ao estudo sobre a sintaxe madeirense, este trabalho procura investigar as estratégias de realização do objeto indireto (OI) anafórico de terceira pessoa numa variedade insular do PE, a variedade falada no Funchal, na Ilha da Madeira. A metodologia adotada tem por base os pressupostos teórico-metodológicos da sociolinguística quantitativa de base laboviana, aplicados a uma amostra estratificada de entrevistas realizadas junto de 12 informantes madeirenses, residentes no Funchal, capital da ilha da Madeira, selecionada a partir do Corpus Sociolinguístico do Funchal. A análise terá em conta a literatura de referência e será conduzida no sentido de procurar saber quais os fatores linguísticos e extralinguísticos que atuam na variação das formas de expressão da função OI, nomeadamente as seguintes (i) com clítico lhe(s) e (ii) com SP (preposição a e para), unicamente com pronome forte ele(s) e ela(s). Os resultados apontam para a ocorrência dos dois tipos de variantes, quantitativamente diferenciados. Com efeito, não só se atesta o uso da construção com a preposição para, normalmente excluída dos dados do PE, como também a pouca frequência do clítico lhe, tida como variante padrão do PE.

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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/cl.v20i1.4625

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