Os dedos de Eurico Alves vestem A Luva (A revista, o modernismo baiano e o poeta dissonante)

Monalisa Valente Ferreira

Resumo


Discussão sobre a revista de variedades A Luva (1925-32) e seu papel agenciador de concepções modernistas na Bahia. A partir disso, observa-se o campo de transição em que se encontrava a arte baiana, com a coexistência de alguns textos literários com elementos inovadores e outros com características de movimentos passados. Dos grupos que na revista se manifestavam, poetas transitavam sem definição de rumos, mas a figura de Eurico Alves Boaventura destoava daqueles por apresentar obras em prosa e em verso com marcas de inventividade e temáticas próximas às propostas modernistas do Sudeste, mais precisamente, de São Paulo. Com isto, percebe-se o impasse: o grupo de poetas baianos ligados ao crítico Carlos Chiacchio produzia com base no tradicionismo dinâmico, no qual se buscava na tradição genuína a fonte da mudança, da renovação, mas a tentativa muitas vezes se perdia por não conseguir ultrapassar os limites da linguagem convencional. Entretanto, apesar de membro do grupo, Eurico Alves ousava em suas criações e fugia das fórmulas divulgadas por Carlos Chiacchio, movimentando-se com inteira liberdade estética.

Palavras-chave


Eurico Alves;Modernismo Brasileiro;Literatura Baiana

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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/lm.v5i1.2021

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