Nos bastidores de acervos de dramaturgos baianos: por uma leitura crítico-filológica

Carla Cecí Rocha Fagundes, Débora de Souza

Resumo


O estudo dos/e nos acervos tem propiciado diferentes orientações de leitura e, por conseguinte, revisitações e descentramentos, sobretudo, na contemporaneidade. No âmbito dos estudos filológicos, considerando prática editorial e crítica filológica, propõe-se, neste artigo, tecer uma leitura crítica acerca dos acervos dos dramaturgos baianos Deolindo Checcucci e Nivalda Costa, integrantes do Fundo Textos Teatrais Censurados, vinculado ao Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia. Nesses acervos há vasta massa documental, composta por documentos do espetáculo, da imprensa e da censura, consultados em instituições diversas, os quais se têm buscado sistematizar, indexar e por em diálogo, a partir de procedimentos filológicos, ferramentas arquivísticas e programas digitais. Nesse exercício filológico, dá-se a ler a produção intelectual de sujeitos que atuaram de forma engajada, principalmente, no período da ditadura militar. Durante esse momento conturbado da história, mesmo em uma sociedade controlada pela censura, o teatro teve uma função questionadora, através da produção de autores como Checcucci e Costa, em uma política de ação e de resistência. Desse modo, a partir das reflexões tecidas nesse artigo, acredita-se ser possível ler, nos documentos do espetáculo, da imprensa e da censura, por meio dos referidos acervos, lugares de memória, marcas dos processos de produção, transmissão, circulação e recepção de textos teatrais censurados pertencentes à dramaturgia baiana.

Palavras-chave


Acervo; Filologia; Texto Teatral Censurado; Documentação censória; Matéria de jornal.

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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/lm.v10i1.3637

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