Disfunção temporomandibular e fatores associados em trabalhadores da indústria

Maria Cristina Teixeira Cangussu, Katia Maria Gally da Silva, Marilene Batista Colaço, Manuela Vanessa F. Moreira Mello, Maria Isabel Pereira Vianna, Luisa Silva Lima, Caio Cezar Rebouças e Cerqueira

Resumo


Objetivo: Identificar a prevalência e fatores associados às Disfunções Temporomandibulares (DTM) em trabalhadores da indústria. Método: Estudo de corte transversal realizado com 1.252 trabalhadores da indústria atendidos pelo Serviço Social da Indústria (SESI), no Distrito Federal de seis estados brasileiros, em 2011. Os dados de risco ocupacional foram coletados na anamnese e entrevista ao paciente ou consulta ao PPRA/PCMSO. Adotou-se o Manual de Critérios do SESI para determinar a presença de DTM através de sinais e sintomas. Procedeu-se à análise multivariada de regressão logística, estimando o OR e Intervalo de Confiança a 95%, analisando o ajustamento pelo método da máxima verossimilhança. Resultados: Dos participantes, 15,50% apresentam algum sinal e sintoma de DTM. O ruído foi o sinal mais expressivo da ocorrência da DTM (10,14%). Observou-se associação com o sexo feminino (OR ajustado = 1,68; 1,19-2,35 IC 95%), raça/cor da pele negra/parda (OR ajustado = 1,76; IC 95%: 1,21-2,56), uso de tabaco (OR ajustado = 1,89; IC 95%: 1,18-3,04) e exposições ocupacionais a agentes físicos (OR ajustado = 1,81; IC 95%: 1,22-2,70) e ergonômicos (OR ajustado: 1,72; IC 95%: 1,18-2,51). Conclusão: Houve baixa prevalência de DTM na população da indústria. Encontrou-se associação estatisticamente significante com sexo feminino, fumante, etnia negra/parda e exposição a agentes físicos e ergonômicos no ambiente laboral, reforçando a importância da adoção de medidas preventivas para a melhoria da qualidade de vida do trabalhador.


Palavras-chave


Síndrome da Disfunção da Articulação Temporomandibular; Exposição Ocupacional; Saúde Bucal do Trabalhador

Texto completo:

PDF

Referências


Gomez CM, Vasconcellos LCF., Machado JMH. Saúde do trabalhador: aspectos históricos, avanços e desafios no Sistema Único de Saúde. Ciênc. saúde coletiva 2018; 23(6):1963-70.

Lacaz FA. The Workers’ Health field: reclaiming knowledge and practices in the interface between work and health]. Cad. saúde publica 2007; 23(4): 757-66.

Antunes JL, Toporcov TN, Bastos JL, Frazao P, Narvai PC, Peres MA. Oral health in the agenda of priorities in public health. Rev. Saúde Publ 2016 1;50:57.

Martins RJ, Garbin CAS, Garcia AR, Garbin AJI, Miguel N. Stress levels and quality of sleep in subjects with temporomandibular joint dysfunction. Rev Odonto Ciênc 2010; 25(1): 32-6.

Guerra MJ, Greco RM, Leite IC, Ferreira e Ferreira E, de Paula MV. Impact of oral health conditions on the quality of life of workers. Ciênc. saúde coletiva 2014 ; 19 (12): 4777-86.

Rikmasari R, Yubiliana G, Maulina T. Risk Factors of Orofacial Pain: A Population-Based Study in West Java Province, Indonesia. Open Dent J 2017; 11: 710-7

Queluz DPM, Maganin CGM. Saúde Ocupacional: Estresse e sua relação com Disfunção Temporomandibular e Bruxismo. Rev UNINGÁ 2017; 23(1): 32-47.

Carrara SVC, Conti PCR, Barbosa JS. Termo do 1º Consenso em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial. Dental Press J Orthod 2010; 15(3): 112-20.

Joury E, Bernabe E, Gallagher JE, Marcenes W. Burden of orofacial pain in a socially deprived and culturally diverse area of the United Kingdom. Pain 2018; 159(7): 1235-43.

Nishiyama A, Kino K, Sugisaki M, Tsukagoshi K. A survey of influence of work environment on temporomandibular disorders-related symptoms in Japan. Head Face Med 2012; 21: 8-24.

Ivkovic NR, M.; Lecic, R.; Bozovic, D.; Kulic, M. Relatioship Between Symptoms of Temporomandibular Disorders and Estrogen Levels in Women With Different Mesntrual Status. J Oral Facial Pain Headache 2018; 32(2): 151-8.

Ahmad N, Chen S, Wang W, Kapila S. 17beta-estradiol Induces MMP-9 and MMP-13 in TMJ Fibrochondrocytes via Estrogen Receptor alpha. J Dent Research 2018, 97(9): 1023-1030.

Lung J, Bell L, Heslop M, Cuming S, Ariyawardana A. Prevalence of temporomandibular disorders among a cohort of university undergraduates in Australia. J Investig Clin Dent 2018; 9(3): e12341.

Isong UG, S.A.; Plesh, O. . Temporomandibular joint and muscle disorder-type pain in U.S. adults: the National Health Interview Survey. J Orofac Pain 2008; 22(4): 317-22.

Janal MNR, K.G.; Nayak, S.; Klausner, J. Prevalence of myofascial temporomandibular disorder in US community women. J Oral Rehabil 2008; 35(11): 801-9.

Guiotoku SK MS, Moysés SJ, França BHS, Bisinelli JC. Iniquidades raciais em saúde bucal no Brasil. Rev Panam Salud Publica 2012; 31(2): 135-41.

Brasília SDN-BSD. Estilo de vida e hábitos de lazer dos trabalhadores das indústrias brasileiras: relatório geral. 2009.

IBGE. Um Panorama da Saúde no Brasil: acesso e utilização dos serviços, condições de saúde e fatores de risco e proteção à saúde, 2018. Rio de Janeiro: IBGE; 2010. 256 p.

Melis ML, Lobo SL, Ceneviz C, Ruparelia UM, Zawawi KH, Chandwani BP, Mehta NR. Effect of cigarette smoking on pain intensity of TMD patients: a pilot study. Cranio 2010; 28(3): 187-92.

Katyayan PA, Katyayan MK. Effect of smoking status and nicotine dependence on pain intensity and outcome of treatment in Indian patients with temporomandibular disorders: A longitudinal cohort study. J Indian Prosthodont Soc 2017; 17(2): 156-66.

Sanders AEMN, AG Diatchenko L, Miller VE, Slade GD. Excess Risk of Temporomandibular Disorder Associated With Cigarette Smoking in Young Adults. Pain 2012; 13(1): 21-31.

Weingarten TN, Iverson BC, Shi Y, Schroeder DR, Warner DO, Reid KI. Impact of tobacco use on the symptoms of painful temporomandibular joint disorders. Pain 2009; 147(1-3): 67-71.

Seligmann-Silva E, Bernardo MH, Maeno M, Kato M. Saúde do Trabalhador no início do século XXI. Rev. bras. Saúde ocup.; São Paulo 2010; 35(122): 185-6.

Aznar FDC, Sales-Peres SHC, Peres AS. A atuação da Odontologia do Trabalho frente ao tabagismo nas empresas. Odonto 2012; 20(39): 123- 9.

Aquino HSSMB, Benevides SD, Silva TPS. Identificação da disfunção temporomandibular (DTM) em usuários de dispositivo de proteção auditiva individual. Rev CEFAC 2011; 13(5): 801-12.

Lemos LFC, Oliveira RS, Pranke GI, Teixeira CS, Mota CB, Zenkner JEA. Sistema Estomatognático, Postura e Equilíbrio Corporal. Salusvita Bauru 2010;v. 29(2):57-67.

Abou-Atme YS, Melis M, Zawawi KH, Cottogno L. Fiveyear follow-up of temporomandibular disorders and other musculoskeletal symptoms in dental students. Minerva Stomatol 2007; 56(11-12): 603-9.

Lopes ES, Erinton Z, Couto LC, Minetti LJ. Análise do ambiente do trabalho em indústrias de processamento de madeira na região Centro-Sul do Estado do Paraná. Scientia Forestalis 2004 (66):183-90.

Jorge JH, Silva Júnior GS, Urban VM, Neppelenbroek KH, Bombarda NHC. Desordens temporomandibulares em usuários de prótese parcial removível: prevalência de acordo com a classificação de Kennedy. Rev Odontol UNESP 2013; 42(2): 72-7.

Bontempo KV, Zavanelli RA. Fatores etiológicos correlacionados à desordem temporomandibular em pacientes portadores de próteses totais bimaxilares: uma análise comparativa. RGO 2009; 57(1): 67-75.




DOI: http://dx.doi.org/10.13102/rscdauefs.v9i0.3745

Apontamentos

  • Não há apontamentos.