MANILKARA ADANS. (SAPOTACEAE) OCORRENTE NA REGIÃO SEMIÁRIDA DO NORDESTE BRASILEIRO

Ana Flávia Trabuco Duarte

Resumo


De acordo com as análises filogenéticas do Grupo Filogenético de Angiospermas (APG IV 2016), Sapotaceae está no clado Asterídea, dentro da ordem Ericales, apresentando uma maior similaridade filogenética com Ebenaceae e Pentaphylacaceae. A família compreende 58 gêneros com aproximadamente 1.250 espécies predominantemente pantropical, com alta diversidade em regiões tropicais e subtropicais da América do Sul e Ásia, encontradas especialmente em florestas úmidas (Swenson & Anderberg 2005), sendo facilmente reconhecida pela combinação do látex, com o arranjo e venação das folhas (Gentry 1993). Sapotaceae ocupa lugar de destaque na flora brasileira, com 202 espécies distribuídas em 12 gêneros, sendo que 101 espécies são endêmicas do país (Carneiro et al. 2015). Manilkara Adans. é considerado o quarto maior gênero de Sapotaceae, com 78 espécies pantropicais, sendo 30 nas Américas Central e do Sul, 35 na África e 13 no Sudeste da Ásia (Armstrong et al. 2010). No Neotrópico, ocorre na costa litorânea e na região amazônica do Brasil, além do Paraguai, Uruguai e Chile, sendo caracterizado pelo cálice em duas séries, presença de estaminódios e a forma do hilo (Pennington 1990). Segundo Andrade (1957), no Brasil o gênero apresenta maior representatividade em áreas de Restinga e Mata Atlântica. Almeida Jr. (2010) realizou estudos que esclareceram a distribuição geográfica do gênero e o estado de conservação das espécies para o Nordeste do Brasil, registrando 12 espécies que se diferenciam, principalmente, pela quantidade de flores, tamanho de pecíolo e pedicelo, filotaxia, variação da folha e do indumento. No Brasil, 16 espécies foram registradas, destas, 11 ocorrem em Mata Atlântica, e 8 na Amazônia (Flora do Brasil 2020). No Nordeste do Brasil, o gênero está distribuído ao longo do litoral da Floresta Atlântica (stricto sensu) e na Caatinga (Farias et al. 2004). Atualmente, o Nordeste é a região brasileira com maior número de espécies do gênero, com 13 espécies registradas (Flora do Brasil 2020). O nordeste do Brasil tem uma área de aproximadamente 1.542.248 km² (IBGE 1998), o bioma do semiárido ocupa cerca de 750.000 km2 deste território (Ab´Saber 1984). O semiárido ocupa 10% do território brasileiro e abriga uma população de cerca de 21 milhões de pessoas o que corresponde a 11% da população brasileira, e vem se tornado cada dia mais urbano (Ab´Saber 2003), e com isso, sua riqueza natural vem sofrendo com os fenômenos de antropização. O que demonstra uma importância em estudar as espécies que ocorrem nesta região, afim de avaliar o seu potencial de distribuição e status de conservação.

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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i21.2165

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