COMPOSIÇÃO QUÍMICA E ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DA ESPÉCIE Lippia thymoides MART. & SCHAUER CULTIVADA

Maíra Meira Freitas

Resumo


A utilização de plantas medicinais e da fitoterapia encontra-se em expansão no Brasil e no mundo, constituindo um mercado farmacêutico altamente promissor (BREVOORT, 1988), tendo em vista a utilização das substâncias como protótipos para o desenvolvimento de fármacos, ou ainda, de medicamentos elaborados exclusivamente à base de extratos vegetais, os fitoterápicos (VIEGAS et al., 2006). Com os avanços tecnológicos e aumento do interesse dos pesquisadores a esse tema, tem crescido a recomendação do uso de plantas medicinais pelos profissionais da saúde com fins curativos(ARNOUS et al., 2005).
Dentre as diversas famílias de interesse medicinal está a família Verbenaceae, com inúmeros relatos de utilização na medicina tradicional. Esta família, incluída na ordem Lamiales, compreende em torno de 36 gêneros e 1000 espécies de distribuição pantropical, mas principalmente neotropical. No Brasil, existem 17 gêneros e aproximadamente 250 espécies, dentre os quais se situa o gênero Lippia. Este gênero reúne cerca de 200 táxons, entre ervas, arbustos e pequenas árvores, distribuídos nos trópicos e subtrópicos das Américas e África, sendo comuns nos cerrados e campos rupestres brasileiros. As espécies deste gênero são ervas ou arbustos e muitas são aromáticas (SOUZA& LORENZI, 2005), com várias espécies ainda desconhecidas do ponto de vista químico e/ou farmacológico, a exemplo da espécie Lippia insignis, um arbusto aromático nativo do Estado da Bahia, com distribuição na caatinga e cerrado (SALIMENA, MULGURA, 2014).
Plantas do gênero Lippia são comumente usadas pela população para a cura de diversas enfermidades, destacam-se pelo aroma forte e agradável e seu aspecto atrativo no período de floração. Estudos comprovaram que algumas espécies desse gênero possuem principalmente ação como antisséptico e antimicrobiano (COSTA et al., 2002)
Estudos da composição química de espécies de Lippia indicam que este gênero é rico em compostos fenólicos e flavonoides, possuindo assim ação antioxidante (AGUIAR e COSTA, 2005). A oxidação é um processo essencial aos organismos aeróbios e ao nosso metabolismo, sendo os radicais livres produzidos naturalmente, como consequência desse processo de oxidação, ou por alguma disfunção biológica. No organismo, os radicais livres desempenham diversos papéis. Entretanto, o excesso deles pode ser responsável por uma série de efeitos deletérios, como, por exemplo, neoplasias, envelhecimento precoce e problemas cardiovasculares, que podem ser evitadas com a ingestão de substâncias com ação antioxidante (BARREIROS et al., 2006). Isso ocorrerá porque os antioxidantes têm como propriedade doar um elétron para as moléculas já oxidadas e ao se oxidarem permanecem estáveis, ou seja, não se tornam novos radicais livres interrompendo a reação em cadeia (FERREIRA et al., 1997).
Assim, um dos fatores pela crescente demanda em estudos químicos e de ação biológica
com plantas e micro-organismos é a busca por novos fármacos que tenha uma ação
antioxidante. Essa área de pesquisa tem um futuro promissor principalmente no território
brasileiro que possui uma rica biodiversidade, com variadas espécies endêmicas distribuídas
em distintos biomas (NEWMAN et al., 2007).
O cultivo de plantas medicinais envolve a possibilidade de domesticação da espécie a
ser utilizada e tal possibilidade implica no domínio tecnológico de todas as etapas de
desenvolvimento da espécie. Nem sempre as condições ideais para o desenvolvimento e
produção de biomassa são as mais adequadas à produção dos princípios ativos de interesse.
Mas, geralmente, existe uma boa adaptação às situações que se assemelham àquela de seu
local de origem (REIS; MARIOT, 2015). Desta forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar a
composição química e a atividade antioxidante da fração em acetato de etila das folhas de
Lippia thymoides cultivada.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i21.2273

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