Análise in silico do DNA Barcode em Diptera caliptrados de interesse forense pertencente às 4 famílias (Sarcophagidae, Calliphoridae, Muscidae e Faniidae)

Ana Valeska Santos de Souza

Resumo


A ordem Diptera constitui uma das maiores ordens de insetos. Estima-se que 150 mil espécies de Diptera, classificadas em cerca de 10 mil gêneros, de 188 famílias, tenham sido descritas mundialmente (Thompson, 2006). Para a região Neotropical, segundo Carvalho & Mello-Patiu (2008), existem cerca de 850 espécies de Muscidae, 800 de Sarcophagidae, 130 de Calliphoridae e 60 de Fanniidae, apesar de alguns outros autores estipularem valores similares para mais ou para menos. Estima-se que essas famílias atinjam cerca de 15% da fauna mundial (Carvalho et al. 2002).
Algumas famílias de Diptera apresentam importância ecológica na ciclagem de nutrientes, como é o caso das espécies saprófagas. Dentre essas, se destacam os dípteros muscoídes das famílias Calliphoridae, Muscidae, Fannidae e Sarcophagidae (Hövemeyer 2000). Esses dípteros utilizam material orgânico em decomposição para alimentação e ovi/larviposição, por este fato as espécies dessas famílias se adaptam facilmente a ambientes antrópicos, o que os torna insetos considerados cosmopolitas sinantrópicos de importância à saúde pública (Linhares 1981).
Um dos materiais genéticos mais utilizados na identificação de espécies é o DNA mitocondrial (mtDNA), pois esta molécula possui algumas características que favorecem a distinção entre elas, dentre as quais é importante ressaltar que além de ser haplóide, tem transmissão materna, não possui recombinação, é pequeno comparado ao DNA nuclear e de simples estruturação (Avise, 1991; Moritz et al., 1987; Wilson et al., 1985).
Uma região do mtDNA, foi padronizada como sendo o marcador universal para identificação de espécies: o gene citocromo oxidase I (COI) denominado de DNA Barcode, que possui sequências que são utilizadas como um código de barras, contendo cerca de 650 pares de bases (Hebert et al., 2003). Estudos comparativos de DNA Barcode podem ajudar na identificação de espécies, pois infere exatamente os limites existentes entre elas, podendo ser considerado uma característica taxonômica para estudos posteriores (Smith et al., 2005).
A análise in silico é uma área de investigação relativamente nova na biologia, que utiliza sistemas matemáticos e simulações computacionais (Palsson, 2000). Esta abordagem
consiste em selecionar num banco de dados moleculares (sequências) que correspondem, por
similaridade, a dois iniciadores “primers” PCR. As regiões correspondentes aos dois
iniciadores podem ser localizadas na sequência selecionada de modo que permita a
amplificação por PCR, o que obriga a relativa orientação das correspondências e as distâncias
entres eles (Ficetola et al., 2010).


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i21.2348

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