Levantamento Florístico de Euphorbiaceae, Alagoinhas, Bahia, Brasil.

Kelle da Silva Cardoso

Resumo


Euphorbiaceae possui 240 gêneros e aproximadamente 6300 espécies (Wurdack & Davis 2009). No Brasil existem 64 gêneros e 951 espécies, sendo 653 endêmicas do país. É considerada uma das famílias típicas da Caatinga devido à sua grande representatividade no semiárido nordestino (Zappi 2008). A família apresenta elevada diversidade morfológica caracterizando-se principalmente pelas folhas geralmente alternas, látex em geral presente, flores unissexuais, ovário súpero, na maioria tricarpelar e trilocular, com um óvulo por lóculo. O fruto é, geralmente, um esquizocarpo, com sementes de tegumento fino, ósseo ou carnoso, frequentemente providas de carúncula e de endosperma abundante (Webster 1994; RadcliffeSmith 2001; Judd et al. 2009).
No estado da Bahia a família está representada por 41 gêneros e 309 espécies, sendo 204 endêmicas (Flora do Brasil 2020, em construção). Essas espécies ocorrem em diferentes tipos vegetacionais, sendo importante componente da Flora dessa região, são fonte de estudos em fitoquímica, palinologia, anatomia, florística e fitossociologia entre outros trabalhos e sua ampla distribuição no estado evidencia a importância do estudo da taxonomia do grupo.
A família Euphorbiaceae passou por profundas modificações com base nos estudos filogenéticos com dados moleculares (Wurdack et al. 2005; APG III 2009), em relação a tradicional classificação proposta por Webster (1994), que dividia a família em cinco subfamílias. As subfamílias que apresentam dois óvulos por lóculo (Phyllanthoideae e Oldifieldioideae), atualmente formam as famílias Phyllanthaceae, Peraceae, Putrangivaceae e Picodendraceae, permanecendo as subfamílias Cheilosoideae, Acalyphoideae, Crotonoideae e Euphorbioideae. (Wurdack et al. 2005; APG III 2009).
As Euphorbiaceae incluem diversas espécies de interesse econômico. Destaca-se a seringueira (Hevea brasiliensis (Wild. ex A. Juss.) Müll.Arg., a mandioca, aipim ou macaxeira (Manihot esculenta Crantz.), a mamona (Ricinus communis L.), e algumas espécies dos gêneros Euphorbia L. e Acalypha L. são utilizadas como ornamentais (Souza & Lorenzi, 2012). Espécies de Croton L., Cnidoscolus Pohl. e Jatropha L. são marcadoras de ecossistemas e características de áreas secas (Caatinga), Alchornea Sw. característica de matas ciliares e campos rupestres e Dalechampia L., Mabea Aubl., Plukenetia L. e Romanoa Trevis. ocorrem em matas (Heywood et al. 2007; Souza & Lorenzi, 2012).
Foi realizado o levantamento florístico da família Euphorbiaceae no município de Alagoinhas, incluindo a identificação de gêneros e espécies, caracterização morfológica,
elaboração de chaves de identificação, contribuindo para o conhecimento do grupo e
para a taxonomia de Euphorbiaceae.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i21.2366

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