PESQUISA DE TOXOPLASMA GONDII EM MAMÍFEROS SILVESTRES DE DUAS ÁREAS DO ESTADO DA BAHIA

Priscylla Marcelly Vilanova Oliveira

Resumo


O desenvolvimento desordenado do agronegócio e do turismo ecológico são exemplos típicos que colocam as regiões, antes intactas e integras do ponto de vista do equilíbrio ecológico, como foco para o surgimento de doenças parasitárias emergentes e re-emergentes, pois alteram as taxas de infestações/infecções por parasitos e sua virulência.
No Estado da Bahia esta situação não é diferente, sendo o estado o segundo colocado no ranking de desflorestamento da Mata Atlântica. Uma crescente relação entre o homem, animais domésticos e a fauna silvestre nativa, potencializando sobremaneira o intercâmbio de seus parasitos e de agentes patogênicos transmitidos por eles (AYRES et al., 2005; ALHO, 2012). Entre as doenças infeciosas e parasitárias, as zoonoses podem ser consideradas o fator isolado mais impactante para a saúde humana e a qualidade de vida. Entre as doenças parasitárias em que animais selvagens podem estar envolvidos ganha destaque a toxoplasmose sendo esta relatada ocorrendo em animais selvagens ou domésticos no Brasil.
O Toxoplasma gondii é um protozoário parasito intracelular obrigatório, amplamente distribuído, capaz de infectar uma grande variedade de hospedeiros. Classificado no filo Apicomplexa, classe Sporozoa,subclasse Coccidia, família Sarcocystidae, é o causador da toxoplasmose, podendo infectar todos os animais homeotérmicos, inclusive o homem. A toxoplasmose é uma das zoonoses parasitárias mais comuns, causando também perdas econômicas significativas à pecuária, principalmente para a ovinocultura. Apresenta considerável relevância quanto aos aspectos de produção animal, pelo abortamento em diferentes espécies de interesse econômico, bem como para a saúde pública, pela transmissão pelos alimentos provenientes de animais infectados (TENTER et al., 2000; ELSHEIKHA, 2008).
No mundo todo, no Brasil, e no Estado da Bahia de um modo especial, o estudo de zoonoses parasitárias em animais selvagens ainda é restrito. Nas últimas duas décadas, as técnicas baseadas na detecção e caracterização de ácidos nucléicos tem trazido um grande impacto no reconhecimento das infecções zoonóticas e no estabelecimento das cadeias epidemiológicas e ecológicas destas infecções. Desta forma, a pesquisa de agentes zoonóticos, principalmente os parasitários, entre animais selvagens em diferentes biomas no Estado da Bahia, por métodos moleculares, é importante e urgente.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i21.2371

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