Análise de conteúdo estomacal de espécies de Pipridae e Thraupidae (Aves, Passeriformes) da Mata Atlântica do Baixo Sul da Bahia, Brasil

Rozivane de Jesus Silva

Resumo


O Brasil apresenta uma das maiores diversidades de aves do mundo, com 1901 espécies, das quais 270 espécies endêmicas do Brasil (Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos 2014). A avifauna, pela sua diversidade e ocupação de papéis ecológicos, muitos dos quais, chave nas comunidades, representa um dos elementos de maior eficácia para indicar as condições ambientais, auxiliando na identificação de processos de degradação e na criação e implantação de medidas conservacionistas (Gonzaga 1986).
No intuito de preservar um remanescente importante da Mata Atlântica do sul da Bahia, foi criada em 1998, em uma área de 85.686 ha, a Área de Proteção Ambiental do Pratigi (APA do Pratigi), que abrange cinco municípios (Ibirapitanga, Igrapiúna, Ituberá, Nilo Peçanha e Piraí do Norte). As investigações sobre a avifauna da Mata Atlântica do baixo sul da Bahia, ainda são incipientes e concentradas, sobretudo, na costa do cacau (Cordeiro 2000, Cordeiro 2003, Laps et al 2003, Silveira 2005). Esta situação é totalmente insatisfatória diante de uma região com rica biodiversidade de fauna e flora e que vem sofrendo, historicamente, grandes agressões e transformações.
Coleções ornitológicas sempre foram centros de produção e difusão do conhecimento básico sobre a diversidade e distribuição de aves no Brasil congregando dados acerca da avifauna de uma região, sua biogeografia e ecologia e estudos de anatomia, taxonomia e sistemática molecular, importantes para subsidiar políticas conservacionistas de ambientes e espécies, além da descrição de novos táxons (Vuilleumier 1998; Aleixo e Straub 2007). A Divisão de Aves do Museu de Zoologia da Universidade Estadual de Feira de Santana (DAMZFS), lotada no Laboratório de Ornitologia/UEFS, foi criada em 2005 (Deliberação CGEN no 121 de 05/08/2005; DOU 01/09/2005) e, além de conter espécimes taxidermizadas, também conta com as coleções de tecidos (amostra de material genético) e de carcaças com vísceras dos espécimes tombados, conservadas em álcool 70%.
A análise da dieta das aves constitui uma importante ferramenta para a compreensão da ecologia de uma comunidade. Conhecer quais e em que quantidades ou proporções esses elementos compõem a dieta de uma determinada espécie é a premissa básica para o entendimento das relações tróficas entre as espécies (Piratelli e Pereira 2002). A investigação da dieta em aves começou na década de 40 com a análise do conteúdo estomacal (Moojen et al 1941), que foi uma das primeiras metodologias para este estudo.
Apesar de ser um dos grupos mais bem conhecidos, em muitos aspectos os estudos sobre as aves ainda são escassos. A maioria das informações sobre a ecologia alimentar das aves que se tem registro é de estudos a partir de observações em campo, que principalmente no caso de aves insetívoras, é pouco preciso. Estudos de dieta permitem melhor entendimento da história natural da espécie e fornece base para o desenvolvimento de estratégias de conservação (Gonçalves et al. 2007). Pipridae (rendeiras, tangarás e afins) e Thraupidae (saíras, tiês, sanhaços e afins) são famílias de aves passeriformes estritamente americanas e conhecidas por terem diversas espécies dispersoras de sementes, a despeito de também se alimentarem de insetos (Sick 1997). No entanto, há variação da proporção de uso destes itens
alimentares entre suas diferentes espécies, podendo haver alterações de acordo com o ambiente e sua sazonalidade (Sick 1997). O presente estudo objetivou analisar o conteúdo estomacal de espécimes das famílias Pipridae e Thraupidae do acervo da DA/MZFS, provenientes da Área de Proteção Ambiental do Pratigi (APA do Pratigi).


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i21.2372

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