MONITORAMENTO DA COMUNIDADE DE FORMIGAS APÓS PERTURBAÇÃO POR FOGO

Juliana Santos Carneiro

Resumo


O fogo pode causar respostas diversas nos ecossistemas. Ele tem grande importância para alguns ambientes, na dinâmica natural e na heterogeneidade espacial e temporal. O fogo é um dos distúrbios mais comuns que podem causar mudanças em grande escala na diversidade de espécies (Whelan 1995). Geralmente causa mudanças nas condições ambientais, na quantidade de biomassa, na diversidade de espécies e no funcionamento dos ecossistemas (Bengtsson et al 2000). O Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) é uma das áreas na Bahia mais atingidas por incêndios de origem natural e antrópica. O PNCD está localizado em uma região montanhosa na parte central da Bahia, onde muitas espécies endêmicas ocorrem dentro de ecossistemas de campos e savanas, especialmente em campos rochosos conhecidos como campos rupestres, onde os fogos antropogênicos são recorrentes (Gonçalves et al. 2011). Os campos rupestres são representados por um conjunto de comunidades predominantemente herbáceo-arbustivo que variam em função do relevo, microclima, profundidade de solo e natureza do substrato, o que dá um caráter de mosaico a estes tipos de vegetação (Vasconcelos 2009 & Giuliett et al 1997).
Algumas pesquisas (como Jackson & Fox, 1996) mostram que as formigas podem exibir respostas diversas a perturbação do fogo, isso será resultado das condições bióticas e abióticas. As formigas são insetos megadiversos. E são excelentes indicadores ambientais por serem organismos pequenos, sempre presentes e muito sensíveis às mínimas modificações do ambiente (Schowalter, 1995). As formigas apresentam grande potencial como bioindicadores, pois entre outras características, são insetos que apresentam grande diversidade correlacionada com a de outros componentes bióticos (Leal, 2005). As formigas que habitam em campos rupestres têm baixa mortalidade, pois elas, geralmente, vivem em ninhos subterrâneos onde ficam protegidas durante os incêndios. Em geral, o fogo é benéfico para as formigas, porque aumenta a disponibilidade de recursos, no momento em que a vegetação começa a rebrotar, elimina obstáculos à locomoção e assim há mais possibilidade de forrageamento (Andersen, 1988; Jackson & Fox, 1996).
Esta pesquisa teve como objetivos estudar o efeito do fogo sobre a diversidade de formigas; caracterizar a riqueza de espécies de formigas antes e depois da perturbação por fogo; analisar a frequência de ocorrência das espécies mais abundantes de formigas. Com base nessas analises o que se espera é que com recuperação da vegetação a abundancia volte a diminuir em relação a primeira coleta após o fogo, mas que seria maior que a coleta antes do fogo. Em relação a riqueza se espera que esta seja maior que a observada na primeira coleta após o fogo (possivelmente reduzida a poucas espécies generalistas) e igual ou maior que a coleta antes do fogo, pois com o tempo a estrutura da vegetação poderá recuperar-se e ter uma comunidade de formigas com maior riqueza devido a adição de espécies especialistas. O trabalho justifica-se pela importância de suas informações para a gestão do parque, pois a grande incidência de incêndios no PNCD e em todo o ecossistema de campo rupestre, torna fundamental que se estabeleçam formas de manutenção do ecossistema e manejo da biodiversidade. Além de servir como uma linha de base de estudos sobre respostas das formigas em áreas de campo rupestres que passam por situações de incêndios.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i21.2383

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