PREVALÊNCIA DOS SINTOMAS DO TRATO URINÁRIO INFERIOR E IMPACTO NA QUALIDADE DE VIDA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM ANEMIA FALCIFORME

Alanna de Medeiros Nelli

Resumo


A doença falciforme (DF) define-se como doença hereditária monogênica, autossômica recessiva crônica em que a hemoglobina S (HbS) está presente. Apresenta-se sob a forma de episódios agudos ou complicações clinicamente tratáveis, com maior gravidade na vigência de homozigose (SS) (Cançado, 2007; Portocarrero 2012; Field, 2008). Destaca-se mundialmente como a hemoglobinopatia congênita mais comum, afetando principalmente africanos ou seus descendentes na América (Anele, 2015; Claudino, 2012). No Brasil, exibe frequência variável de 2 a 6%, cerca de 1:1000 nascidos-vivos, totalizando 20-30 mil brasileiros, assumindo a posição de doença genética mais prevalente. As maiores taxas de mortalidade estão entre os jovens, especialmente os menores de nove anos. (Ekinci, 2013; Eneh, 2015).
Os sintomas do trato urinário inferior (STUI) incluem uma série de queixas associadas tanto ao armazenamento quanto ao esvaziamento vesical (Portocarrero, 2012; Lorencini, 2015). Desordens que afetem qualquer uma destas funções vesicais básicas geram os STUI. A DF aumenta o volume urinário por prolongar o tempo de enchimento vesical e envolve dano celular por radicais livres oxidativos, gerando, entre outros, a enurese por hipostenúria e/ou instabilidade vesical (Portocarrero, 2012; MBong, 2013; Silva, 2014).
O DSM-IV aborda enurese como a perda de urina na cama ou roupas, involuntária ou não intencional, no mínimo 2 vezes na semana por no mínimo 3 meses consecutivos ou a presença de comprometimento social em uma criança de 5 anos ou mais e ocorrência desvinculada ao uso de uma substância ou efeito de condição médica prévia (Claudino, 2012). Sua prevalência cai com o avançar da idade, mas em pacientes falcêmicos, mantêm-se alta se comparada com a de pessoas sem a condição (Tewari, 2016).
A aquisição de desordens psiquiátricas como a depressão advém do fato de se tratar de doença crônica, requisitante de cuidados precoces, da imprevisibilidade das crises, modificações físicas, atraso na maturação sexual e restrições impostas pelo tratamento. Em crianças e adolescentes, tais transtornos manifestam-se sob a forma de desordens alimentares, desvios de comportamento e conduta, inabilidade no ajustamento social (Eneh, 2015; Wolf, 2014; MS, 2016).
Dessa maneira, este estudo transversal visa avaliar aspectos epidemiológicos dos STUI bem como o impacto dos mesmos na vida das pessoas a fim de proporcionar uma melhor abordagem do tratamento destas condições, permitindo a elaboração de políticas públicas mais realistas e minimização dos agravos associados à tão grave condição.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i21.2493

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