INFLUÊNCIA DA SUPLEMENTAÇÃO DE CÁLCIO EM MULHERES MENOPAUSADAS NA DOENÇA PERIODONTAL

Maria Célia Nunes Pedreira

Resumo


Na menopausa ocorre a diminuição da produção e secreção dos hormônios ovarianos devido a um número inadequado de folículos em funcionamento dentro dos ovários1. Dentre esses hormônios, está o estrógeno, que é considerado um dos fatores patogênicos dominantes para a osteoporose em mulheres2.
A insuficiência estrogênica afeta a capacidade reprodutora feminina, tem ações diretas e indiretas no osso via paratormônio, vitamina D e calcitonina. Pode interferir na absorção de nutrientes, a exemplo do cálcio pelo intestino, na continência urinária, metabolismo ósseo e mineral, na pressão sanguínea e função cardiovascular, nas funções de memória e cognição, bem como na progressão de doenças degenerativas relacionadas com a idade como a osteoporose3. Essa patologia é caracterizada pela redução da massa óssea e pela deterioração da micro-arquitetura tanto do osso cortical como trabecular, resultante do desequilíbrio entre a reabsorção e a aposição óssea4.
Entendem-se que a Doença Periodontal (DP) é constituída por uma série de processos inflamatórios e infecciosos que atinge os tecidos periodontais, tendo etiologia multifatorial. Essa infecção é induzida por bactérias anaeróbias gram-negativas que colonizam o biofilme dental5.
A plausibilidade biológica para a existência dessa associação tem sido sistematizada em torno do seguinte pressuposto: a identificação de receptores de estrógeno no ligamento periodontal sinaliza que a deficiência estrogênica, ao provocar aumento de citocinas reabsortivas, pode promover exacerbação de fatores de inflamação local existentes no periodonto, agravando a condição bucal5,6.
Desse modo, pessoas com osteoporose reagiriam a periodontite com aumento local na produção de citocinas e mediadores inflamatórios, como as interleucinas e o fator de necrose tumoral, facilitando a progressão da reabsorção óssea periodontal, ou ainda interferindo nos efeitos da terapia periodontal e dificultando o controle das medidas clínicas periodontais3.
Alguns estudos têm mostrado que a suplementação da dieta com cálcio reduz a perda óssea em mulheres na pós-menopausa com baixo consumo desse mineral7 e o risco de fraturas em mulheres idosas quando associado com vitamina D8.
Em vista do exposto e da controvérsia sobre o tema, o objetivo deste trabalho foi analisar e comparar dados, já coletados em prontuários, de mulheres menopausadas atendidas pelo NUPPIIM e verificar se existe alguma influência do uso de cálcio no nível de inserção clínica.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i21.2514

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