DISTÚRBIO PSÍQUICO MENOR EM MÉDICOS INTENSIVISTAS BRASILEIROS

Eneias Ribeiro de Oliveira

Resumo


Diversos estudos apontam que a UTI é o ambiente mais estressante do hospital (AMIB, 2004, NASCIMENTO SOBRINHO, CL, et al., 2010). O trabalho diário do profissional de saúde na UTI exige conhecimento técnico qualificado, habilidades, atenção, raciocínio rápido e controle emocional para lidar com as adversidades que surgem a cada instante, além de atualização científica contínua, frente ao desenvolvimento que a especialidade vem apresentando ao longo dos últimos anos. É preciso ainda preparo psicológico para apoiar pacientes e familiares em momentos de angústia e frustração, visto a confiança que estes depositam na equipe de saúde. Este contexto pode contribuir para o desenvolvimento de distúrbios psíquicos nos profissionais da saúde.
O sofrimento psíquico da equipe de saúde pode ser identificado pelas jornadas prolongadas e pelo ritmo acelerado de trabalho, a quase inexistência de pausas para descanso ao longo do dia, a intensa responsabilidade por cada tarefa a ser executada, com a pressão de ter “uma vida nas mãos” (BARROS, ET AL., 2008). Desse modo, nos deparamos com uma situação paradoxal, onde a última esperança para a preservação da vida do “ser humano” é depositada em profissionais desgastados, física e mentalmente, para o exercício profissional, onde o fracasso pode ser irreparável.
Distúrbio Psíquico Menor (DPM) é uma expressão criada por Goldberg & Huxley (1993) para designar sintomas tais como insônia, fadiga, irritabilidade, esquecimento, dificuldade de concentração e queixas somáticas, que demonstram ruptura do funcionamento normal do
indivíduo, mas não configuram categoria nosológica da 10ª Classificação Internacional de Doenças (CID-10), bem como dos Manuais de Diagnóstico e Estatística (DSM) da Associação Psiquiátrica Americana (COUTINHO ET AL., 1999). Entretanto, os distúrbios psíquicos menores constituem problema de saúde pública e apresentam impactos econômicos relevantes em função das demandas geradas aos serviços de saúde e do absenteísmo no trabalho (COUTINHO ET AL., 1999).
No Brasil, vários autores têm revelado alta prevalência desses distúrbios em diversos grupos de trabalhadores (ARAÚJO ET AL., 2003; COSTA ET AL., 2002; COSTA E LUDERMIR, 2005; LIMA, 2004; LUDERMIR, 2000), o que pode comprometer as atividades prestadas pelos mesmos, especialmente aquelas relacionadas à saúde, podendo gerar consequências negativas no plano individual e coletivo. Sendo assim, a identificação precoce de DPM, pode orientar intervenções individuais e coletivas (LIMA, 1999; OMS, 2002).
Objetivo: Descrever a prevalência de Distúrbios Psíquicos Menores em médicos trabalhadores de UTI cadastrados na Associação de Medicina Intensiva Brasileira.


Texto completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i21.2565

Apontamentos

  • Não há apontamentos.