RELAÇÃO ENTRE A PRODUÇÃO DE HSP60 POR CÉLULAS MONONUCLEARES DO SANGUE PERIFÉRICO DE PORTADORES DE PERIODONTITE E OS NÍVEIS DE SANGRAMENTO À SONDAGEM.

Liliane Brito de Oliveira

Resumo


A periodontite é uma doença infecciosa geradora de condições inflamatórias, que resultam na destruição dos tecidos de sustentação dos dentes (osso, ligamento periodontal e cemento) (VAN DYKE & SERHAN, 2003). Clinicamente é caracterizada pela perda de tecido conjuntivo de inserção ao dente na presença de inflamação gengival. Associada à perda de inserção há a migração do epitélio juncional e oral ao longo da superfície dentária e reabsorção óssea (ARMITAGE, 1999). A gengiva apresenta-se edemaciada, exibindo alterações de cor, que varia do vermelho-pálido até magenta, sangramento espontâneo ou como resposta à sondagem periodontal. Pode ser encontrado exsudato inflamatório relacionado ao fluido gengival e supuração da bolsa. As profundidades das bolsas podem variar e as perdas ósseas podem ser horizontais e verticais, podendo levar a mobilidade dental nos casos mais avançados (CARRANZA et al., 2004).
Diversas moléculas podem estar envolvidas na patogênese da periodontite. Dentre elas, podem ser citadas as HSPs, que fazem parte de um grupo chamado “chaperonas moleculares”. Elas recebem este nome por acompanharem, em condições metabólicas normais, proteínas desdobradas e polipeptídeos durante o seu transporte celular, permitindo que estas moléculas passem através de membranas e que sejam inseridas dentro de organelas celulares. (CHANDRA et al., 2007). Essas proteínas estão entre as mais conservadas e imunogênicas compartilhadas entre eucariotos e procariotos. Em condições fisiológicas, são responsáveis pela manutenção da integridade e função de outras proteínas celulares quando as células são expostas a estímulos estressores, tais como hipóxia, isquemia, hiperoxia, anoxia, deficiência nutricional, infecção, exposição a carcinógenos, entre outros (KAUFMANN, 1990).
Devido a sua alta conservação entre patógenos microbianos e sua capacidade de induzir resposta imune celular e humoral, HSP60 tem sido sugerida como possível candidato antigênico na periodontite. Foi demonstrado que HSP60 humano pode ser alvo de respostas autoimunes na periodontite devido ao mimetismo molecular com a homóloga GroEL de Porphyromonas gingivalis (YAMAZAKI et al., 2002). E segundo
Pimentel (2014), as células mononucleares de sangue periférico (CMSP) extraídas de humanos que não possuem periodontite apresentam níveis de HSP60 mais elevados que aquelas extraídas de portadores de periodontite crônica, levantando também a possibilidade da expressão de HSP60 na célula humana exercer um papel protetor contra a periodontite.
Diante do exposto, torna-se relevante uma investigação sobre a relação entre a produção de HSP60 em portadores de periodontite e os níveis de sangramento à sondagem.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i21.2585

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