FATORES PREDISPONENTES À INFILTRAÇÕES PERIFÉRICAS EM CRIANÇAS COM CÂNCER

júlia de Paula Silva

Resumo


A assistência à saúde é desenvolvida em um sistema complexo, onde predomina a realização de procedimentos e intervenções que podem predispor ao erro e agravar suas consequências, em grau raramente identificado em outras atividades humanas (PEDREIRA, 2006). Dentre esses procedimentos está a Terapia Intravenosa (TIV).
A TIV integra o cotidiano da enfermagem no tratamento dos agravos à saúde, sendo definida como um conjunto de conhecimentos e técnicas que visam à administração de soluções e fármacos no sistema circulatório. Abrange o preparo do paciente, escolha, obtenção e manutenção do acesso venoso, os métodos de preparo e administração de drogas e soluções bem como os cuidados referentes à frequência de troca do cateter curativos, dispositivos de infusão e soluções (PETERLINI; CHAUD; PEDREIRA, 2008).
Em alguns estabelecimentos de saúde os trabalhadores de enfermagem ainda reproduzem um modelo de cuidado sem fundamentação em evidências científicas, expondo a criança hospitalizada à ocorrência de eventos adversos (EA) e a erros relacionados à TIV. EA são definidos como complicações indesejadas decorrentes do cuidado prestado aos pacientes, não atribuídas à evolução natural da doença de base (GALLOTTI, 2004).
A TIV requer a inserção de cateteres intravenosos, periféricos ou centrais, que acessam o sistema venoso, principalmente dos membros superiores. A administração de soluções via intravenosa objetiva repor volume intravascular, corrigir déficits de eletrólitos, administrar fármacos, realizar hemodiálise e fornecer nutrientes ao cliente quando não há outra via disponível (CHRISTOFFEL, 2013).
Esta é uma realidade das unidades de oncologia pediátrica, pois para estabelecer a terapêutica específica para o câncer infantil é necessário a inserção cateter na via venosa periférica ou central e muitos quimioterápicos utilizados no tratamento dessas crianças apresentam características químicas que podem acarretar eventos adversos, a exemplo de infiltração, extravasamento e flebites.
Portanto, o profissional deve estar preparado para preveni-los e caso ocorram identifica-los o mais rápido possível para que sejam evitados grandes danos. A interrupção do evento adverso e a intervenção imediata são condutas praticadas pelos profissionais para minimizar os prejuízos das falhas cometidas (WEGNER; PEDRO, 2008).Neste estudo dá-se ênfase à infiltração que é definida como o deslocamento do cateter da veia, com consequente saída de solução ou fármaco não vesicante para o espaço extravascular. Pode ser identificada na presença de pele fria ao redor do local de inserção do cateter, edema dependente e velocidade de infusão ausente ou lenta (MACHADO; PEDREIRA; CHAUD, 2008).Em estudo sobre flebite, infiltração e extravasamento em recém-nascidos submetidos à punção intravenosa periférica, a análise da variável de infiltração revelou que 79,2% nos recém- nascidos avaliados apresentaram infiltração (GOMES et al., 2011).No entanto, além de saber identificar uma infiltração é importante que os profissionais de enfermagem saibam quais são as crianças que estão mais propensas a ter esse tipo de complicação através do reconhecimento de quais são os fatores de risco relacionados a sua ocorrência, porém os estudos sobre o tema ainda é escasso, principalmente quando relacionado especificamente a oncologia.Diante disto, este estudo teve como objeto de investigação os fatores associados a ocorrência de infiltrações intravenosas em crianças com câncer.


Texto completo:

PDF PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i21.2665

Apontamentos

  • Não há apontamentos.