Desigualdades sociais e pobreza na Região Metropolitana de Salvador: um estudo sobre a economia popular e solidária como mecanismo de erradicação.

Renaildes Dórea Cintra

Resumo


Durante o período de pós-industrialização na década de 90 as economias periféricas observaram distintas mudanças nos processos de produção e no mercado de trabalho, reflexos do fenômeno da globalização e mundialização do capital. De acordo com Assis (2007) “a globalização surge como um processo de aprofundamento da integração econômica, social, político, cultural e de barateamento dos custos de transporte e comunicação entre os países do mundo no século XX”. Em se tratando de um mecanismo que visa eliminar as barreiras impostas pelas fronteiras naturais, a globalização em si, tinha o papel de interligar os países promovendo uma maior integração e comunicação entre os mesmos. No entanto, em que pese os aspectos negativos destaca-se que houve um relativo distanciamento entre as economias, alargando as disparidades socioeconômicas e exacerbando a relação centro-periféria que em sua totalidade se expressa em uma nova divisão internacional do trabalho.
Analisando os efeitos deste processo sobre a economia brasileira observou-se que no final da década de 80, o cenário conjuntural interno sofreu algumas transformações, devido, as várias mudanças ocorridas no campo macroeconômico consequência de um litigioso processo de abertura financeira e comercial do país. Segundo a reflexão dos autores Ribeiro e Oliveira (2006) sobre o Brasil destaca-se que o modelo de substituição das importações, que havia sido adotado após a II Guerra Mundial, na qual mantinha sua economia protegida, seria abandonado dando origem a um regime mais aberto do ponto vista, financeiro, comercial e de investimentos diretos. Assim com a redução da intervenção estatal em alguns setores econômicos devido à financerização da economia imposta pelo Consenso de Washington com uso do “Estado mínimo”, tem- se que os segmentos que dependiam deste apoio vão sofrer fortemente com a competitividade externa e a falta de subsídios.
Ao refletir sobre esta situação no âmbito regional observa-se que a Bahia não foge a regra, descrendo as características negativas dinamizadas pela economia brasileira ao longo deste processo. Todavia, é importante ressaltar que a Bahia, já, havia iniciado o seu processo de industrialização no período fugindo do enigma baiano1. No entanto, não conseguiu reduzir os seus níveis de concentração produtivo na RMS, dado a falta de capacidade da industrial local de gerar um efeito multiplicador sobre a produção e tão pouco aumentou o seu nível de desenvolvimento ao longo dos anos, reservando para a população local um estrema carência de renda e elevadas taxas de desemprego.
È diante deste ambiente que as ideias do cooperativismo se dinamizam na região fazendo surgir os empreendimentos de economia popular solidária que segundo os dados da Senaes nos anos de 2009 á 2013 contabilizou-se um total de 14.452 empreendimentos solidários na Bahia. Assim destaca-se que o objetivo principal do trabalho foi de verificar qual o efeito promovido pela economia popular e solidária no sentido de aumentar a inclusão socioprodutiva do trabalhador soteropolitano e na redução dos níveis de pobreza2. Sendo importante destacar que os intentos iniciais foram de analisar o processo de inserção do cooperativismo na Bahia, verificando o contexto de formação industrial e o aparecimento desta nova economia diante das defasagens apresentadas pela pouca produtividade da industrialização local no sentido de garantir renda e trabalho de forma sustentada.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/semic.v0i20.3241

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