GRANDE SERTÃO: VEREDAS - EDIÇÃO ESPECIAL 70 ANOS
Publicado em 1956, o romance permanece como uma das experiências mais radicais da literatura brasileira. Mais que representar o sertão, a obra o reinventa como espaço de linguagem, pensamento e existência — um sertão que não se fixa, mas atravessa: o tempo, a memória, a leitura.
Nesta edição comemorativa, propomos reunir trabalhos que tomem Grande Sertão: Veredas em sua condição de travessia. Interessa-nos pensar a obra não apenas como marco, mas como movimento contínuo — capaz de se reinscrever em diferentes tempos, leituras e contextos críticos.
Ler o romance é também aprender a ouvir. Na fala sinuosa de Riobaldo, o sentido não se apresenta de modo imediato: ele se forma nas hesitações, nos desvios, nas retomadas — no que se diz e no que apenas se insinua. O texto rosiano convoca o leitor a uma escuta atenta, capaz de perceber aquilo que atravessa a linguagem quase em surdina.
Assim, convidamos a refletir sobre as múltiplas formas pelas quais Grande Sertão: Veredas segue em travessia, a partir dos seguintes eixos:
- Linguagem, invenção e experimentação narrativa
- Sertão, espaço e territorialidades
- Tempo, memória e experiência narrativa
- Filosofia e metafísica
- Gênero, identidade e ambiguidade
- Leitura, recepção e fortuna crítica
- Diálogos com outras obras e linguagens (cinema, teatro, artes visuais, música)





