Rupturas e estranhamentos na arte de contar histórias
DOI:
https://doi.org/10.13102/lm.v15i1.10002Resumo
A partir de um olhar lançado para a tradição de contar histórias e suas fontes: mitos, contos e narrativas diversas são verificados caminhos teóricos e performáticos para romper e/ou estranhar possíveis traços normativos, opressivos ou domesticados ali presentes. Um percurso que valoriza um olhar sócio-histórico aliado à chama de encantamento sustentada pelo sopro dos contadores de histórias. Esses recortes são embasados pelos estudos de Roland Barthes (2003) que desmascaram um caráter atemporal, em especial nos mitos e acentuam um viés político nas construções humanas. Os estudos de subalternidade empreendidos por Gayatri Chkarvorty Spivak (2010) elucidam trilhas para que os contadores na contemporaneidade possam refletir acerca dos caminhos empreendidos para contar histórias sobretudo diante de narrativas que sugerem um diálogo complexo com suas teias identitárias. A partir de uma perspectiva cênica, o estranhamento é formulado por Bertold Brecht (1967), para que esse procedimento possa sinalizar trilhas emancipadoras na performance narrativa. O mito de Antígona, sua tradução na tragédia de Sófocles (2005) e a reescrita por Brecht (1993) sinalizam a sinuosidade das posições entre tradição e ruptura e contribuem para avistar algumas das considerações tecidas.
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